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Prefeito de Ourinhos Guilherme Gonçalves eleito Presidente da UMMES, apela por união entre municípios e critica polarização que fragmenta debates sobre projetos nacionais
O 68º Congresso Estadual da Associação Paulista de Municípios (APM) serviu como palco para reflexões sobre o futuro da administração pública municipal no Brasil. Durante o evento, o prefeito Guilherme Gonçalves de Ourinhos defendeu com veemência que o crescimento econômico e social só é sustentável quando construído sobre alicerces de cooperação.
Eleito presidente da UMMES (União dos Municípios da Média Sorocabana) para a gestão 2025, Gonçalves representa uma geração de gestores que busca romper com práticas antigas de competição predatória entre municípios.
Gonçalves apresentou uma dicotomia clara sobre as formas de desenvolvimento: "Tem duas formas de crescer. Uma é pisando nas pessoas, um crescimento que parece ir longe, mas em alguma parte do caminho paralisa.
Outra é dando as mãos, onde todo mundo se une — e é um crescimento consolidado." A metáfora revela não apenas uma visão pragmática de governança, mas uma crítica implícita a modelos de administração baseados em clientelismo e competição destrutiva.
A Relevância do Congresso e Inovação Tecnológica
Gonçalves enfatizou a importância estratégica do congresso da APM, descrito como o maior da América Latina. Segundo o prefeito, a concentração de inovações e tecnologias apresentadas no evento oferece oportunidades reais para que municípios de médio porte como Ourinhos incorporem soluções avançadas em suas administrações.
"A gente tá vendo aqui muita inovação e tecnologia que a gente vai conseguir levar pra nossa cidade, aplicar. Essa proatividade só atrai o desenvolvimento."
A mensagem subjacente é que a participação em redes intermunicipais não é simplesmente um exercício de solidariedade administrativa, mas uma estratégia concreta de transferência de conhecimento e acesso a recursos que cidades isoladas não conseguem acessar.
Isso é particularmente relevante para municípios da região de Ourinhos, situados numa zona intermediária entre metrópoles e pequenas cidades rurais.
Economia Municipal: Serviços e Agricultura como Pilares
Quando questionado sobre as receitas municipais e dependência de repasses federais pelo Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Gonçalves apresentou um diagnóstico realista sobre a estrutura econômica de Ourinhos.
O setor de serviços é apontado como o principal gerador de empregos, seguido por um comércio ativo, com a agricultura mantendo importância significativa na matriz econômica local.
O prefeito reconheceu as dificuldades estruturais enfrentadas por municípios em todo o país — provavelmente uma alusão à crise de receitas municipal, endurecimento das regras de endividamento e redução de transferências federais.
Contudo, sua resposta não foi pessimista. Gonçalves apostou numa interpretação que transforma adversidade em oportunidade: "Se tivesse tudo fácil para todo mundo, ninguém buscaria aprender, crescer, desenvolver. Toda dificuldade gerada é para um bem, para um crescimento."
Essa perspectiva alinha-se com teorias econômicas sobre resiliência municipal, embora possa ser questionada por grupos que enfatizam a urgência de alívio fiscal imediato para cidades em crise.
A Renovação Geracional na Política Brasileira
Um dos momentos mais significativos da entrevista ocorreu quando o tema migrou para a importância da juventude na política. Gonçalves foi apresentado como "um dos mais novos prefeitos de São Paulo" — categoria que representa uma quebra com a velha guarda política que historicamente controla recursos e cargos nas estruturas municipais brasileiras.
A trajetória pessoal de Gonçalves é emblemática dessa renovação. Oriundo de uma infância difícil, trabalhou como trabalhador rural e coletor de lixo antes de chegar à prefeitura.
Essa ascensão não foi acidental: Gonçalves buscou educação continuada, cursou faculdade, especializou-se em gestão pública e conquistou aprovação em concurso público. "Todo mundo pode chegar onde quiser, independente de onde saiu. Eu acho que todo mundo é capaz", afirmou.
Essa narrativa de mobilidade social, embora inspiradora, também expõe a fragilidade de um sistema onde exceções individuais de sucesso precisam ser celebradas como provas de que o sistema funciona.
A realidade é que a maioria dos trabalhadores em posições de vulnerabilidade não dispõe das mesmas oportunidades educacionais que Gonçalves teve.
Crítica à Polarização e Apelo por Debate Substantivo
Gonçalves foi contundente ao criticar o cenário político nacional, dominado pelo que chamou de "velha mania" e "velha guarda" que controla discussões sem permitir que temas relevantes de fato sejam debatidos.
Sua crítica transcende a simples reclamação: aponta para um problema estrutural da democracia brasileira contemporânea — a captura de debates públicos por narrativas polarizadas que impedem a discussão sobre projetos nacionais substantivos.
"Tem muita gente que fica pautado apenas numa discussão pequena que deixa de escutar o macro, o amplo, pra gente realmente poder discutir um projeto de país e não um projeto apenas de momento", argumentou o prefeito.
A observação é perspicaz: enquanto a política se fragmenta em microconflitos identitários e conjunturais, questões estruturais como reforma tributária municipal, modelo de financiamento de políticas sociais e desenvolvimento regional seguem negligenciadas.
A Esperança numa Geração Democrática
Apesar da crítica contundente, Gonçalves ofereceu uma perspectiva esperançosa sobre a chegada de uma nova geração política. Diferenciou entre juventude e capacidade democrática real: "Eu vejo uma nova geração democrática no sentido de respeitar opiniões contrárias."
Essa definição é crucial — não se trata simplesmente de idade, mas de abertura ao diálogo, respeito à alteridade e disposição de aprender com predecessores.
O prefeito enfatizou o respeito aos prefeitos mais antigos, reconhecendo as contribuições históricas. Contudo, sua aposta é que essa nova geração conseguirá transcender o sectarismo através de humildade e escuta genuína — virtudes que, segundo sua perspectiva, eram menos presentes em gestões anteriores.
Contexto Mais Amplo: Municipalismo como Estratégia
A eleição de Gonçalves para a presidência da UMMES sinaliza um movimento mais amplo no municipalismo brasileiro: a busca por consórcios e redes de cooperação como forma de fortalecer a capacidade de negociação de cidades médias.
Historicamente, municípios competiam entre si pela atração de investimentos, gerando externalidades negativas (dumping fiscal, exploração de recursos).
O modelo defendido por Gonçalves — baseado em cooperação, transferência de conhecimento e ação coletiva nas esferas estadual e federal — representa uma mudança paradigmática.
A UMMES, agrupando vinte cidades da região Sorocabana, oferece massa crítica suficiente para atrair "recursos públicos e privados para o desenvolvimento coletivo", conforme descrito em comunicado oficial.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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Fontes
Associação Paulista de Municípios (APM) — registros do 68º Congresso Estadual; União dos Municípios da Média Sorocabana (UMMES) — atas de eleição da gestão 2025; entrevistas e comunicados do Município de Ourinhos; Fundo de Participação dos Municípios (FPM) — dados do Tesouro Nacional; referências sobre políticas municipais e desenvolvimento regional no Brasil.
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