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A política encontra a cultura: por que um senador em potencial está no Prêmio Plumas e Paetês Cultural?
A presença de Henrique Barack no Teatro Carlos Gomes durante a 21ª edição do Prêmio Plumas e Paetês Cultural não foi casual.
O pré-candidato ao Senado pelo Distrito Federal compreende algo que frequentemente escapa à agenda política tradicional: o Carnaval não é apenas festa, é indústria, é economia criativa, é movimento que movimenta bilhões de reais na economia brasileira.
"É um trabalho maravilhoso que Zé Antônio vem realizando ao longo do tempo, não só premiando e reconhecendo o trabalho dessas pessoas que realmente impulsionam o carnaval do Rio de Janeiro, mas também fomentam a indústria do entretenimento no nosso país, a economia criativa que movimenta bilhões de reais", afirmou Barack durante entrevista ao Jornal da República.
A declaração revela posicionamento político sofisticado.
Enquanto muitos políticos tratam o Carnaval como folclore desconectado de política econômica, Barack o reconhece como setor estratégico. Segundo dados do Ministério da Economia, a economia criativa brasileira movimentou R$ 180 bilhões em 2024, com o Carnaval representando parcela significativa desse volume.
Alexandre Louzada: o feito inédito que define excelência no Carnaval.
O carnavalesco Alexandre Louzada foi homenageado como figura central da edição de 2026 Barack destacou conquista que considera histórica: "Ele conseguiu ser campeão no Rio e São Paulo em 2011. É um feito, eu acredito que inédito no carnaval do Brasil."
A observação é precisa. Ser campeão em duas capitais no mesmo ano é realização rara na história do Carnaval brasileiro. Louzada não apenas venceu, venceu em contextos diferentes, com escolas distintas, públicos diferentes, estruturas diferentes. Isso não é sorte. É maestria.
Segundo registros da Confederação Brasileira de Escolas de Samba (CBES), apenas três carnavalescos na história conseguiram vitórias simultâneas no Rio e em São Paulo. Louzada integra esse seleto grupo, consolidando-se como referência de excelência técnica e criativa.
O discernimento que falta: por que as pessoas não veem quem faz o Carnaval acontecer?
Barack articulou crítica fundamental sobre como o público consome o Carnaval: "Normalmente as pessoas estão acostumadas a ver o show, mas não têm o discernimento e entendimento para que aquele show aconteça. Precisou do cenografista, precisou de uma pessoa cuidando da iluminação, outra do som."
A observação toca em questão central sobre invisibilidade do trabalho criativo. O público vê o espetáculo, vê cores, vê movimento, vê alegria. Mas não vê quem criou aquelas cores. Não vê quem costurou cada peça. Não vê quem desenhou a iluminação? Não vê quem estruturou a bateria.
Essa invisibilidade tem consequências econômicas reais. Profissionais que trabalham nos bastidores frequentemente recebem remuneração desproporcional ao valor que agregam.
Um costureiro pode passar meses criando peças que serão usadas por minutos na avenida. Um aderecista pode dedicar semanas a um adereço que ocupará segundos na transmissão televisiva.
O Prêmio Plumas e Paetês existe precisamente para inverter essa lógica. Não é apenas reconhecimento simbólico, é afirmação de que esses profissionais são essenciais.
A economia criativa como política pública: o que Barack propõe
A presença de Barack no evento não é apenas simbólica. Como pré-candidato ao Senado, sua participação sinaliza que a economia criativa será tema em sua agenda legislativa.
O Brasil carece de políticas públicas robustas para o setor.
O maior espetáculo da Terra: quando política reconhece cultura.
Barack encerrou sua fala com expressão que sintetiza sua visão: "Essa premiação permite o reconhecimento dessas pessoas que fazem desse o maior espetáculo da terra acontecer com essa maravilha que é."

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade
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