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O professor não acredita em si mesmo quando, depois de quinze anos de magistério, ministra as mesmas aulas, correspondentes às mesmas disciplinas, sem usar um vocabulário adaptado ao tempo e sem relação com o espaço.
Tudo muda e tudo avança. Aquela aula continua a mesma. Isso leva à descrença porque os educandos não conseguem suportá-la. O educador sente isso na pele, sente-se desprezado, não considerado.
O professor não acredita em si mesmo quando admite um pensamento de que não é mais capaz de aprender. Diante do choque, através da percepção, de que os alunos aprendem outras coisas até sem a sua presença, as dúvidas aumentam e a depressão também.
Talvez não haja situação mais difícil do que ser incapaz de justificar o porquê do ensino de determinados conteúdos. Afirmar, simplesmente, que a matéria lecionada ai está porque faz parte dos programas dos vestibulares ou, foi considerada importante por uma Secretaria de Educação, ou ainda porque faz parte do programa, não encanta nem convence mais. Todas as justificativas são alheias ao contexto dos educandos.
Enquanto o professor não se convencer que nossa legislação é aberta, que sua participação nos projetos pedagógicos é essencial para intervir e mudar conteúdos, adequando-os à realidade e abandonando o derrotismo de que as “autoridades” não aceitarão suas opiniões, a crença em si mesmo será sempre difícil.
É necessário que o professor abandone certos comportamentos que, em vez de ajudar, só pioram seu humor, transformando-o em mau humor: derrotismo – você não é um derrotado. Se você continuar aprendendo alguma coisa a cada dia, em breve reunirá argumentos para defender seus pontos de vista; reclamação – reclamar não resolve problema algum, nem do professor, nem da escola, nem do agente público. As reclamações, muitas vezes, não são ouvidas. O tempo destinado à reclamação deveria ser empregado em busca de mais informações, alguma leitura de livro ou revista que possa auxiliar na transformação dentro do trabalho intelectual.
As atitudes de largar-se, abandonar-se, andar vestido com desleixo depõem contra você e sua imagem.
Não se trata de luxo, trata-se de evitar o lixo!
Quando alguém se despreza, ninguém acreditará nela. Os educandos também.
Então, para reverter essa situação de modo que cada professor possa ter mais autoridade para reivindicar seus direitos, melhores salários, mais formação e melhoria da competência é preciso acreditar em si mesmo a ponto de poder arriscar o trabalho atual, se não for atendido em suas reivindicações, porque tem certeza da própria capacidade de buscar outro emprego em outras partes e dentro do campo educacional.
Essa descrença em si mesmo leva muitos professores a não desejar uma formação continuada, mesmo gratuita, oferecida por uma universidade ou Secretaria de Educação. A descrença chega a convencer o professor que a formação possa perverter suas crenças políticas porque quem governa não recebeu seu voto. Ou ainda, não há participação por parte dos professores porque são oposição ao governo consagrado nas urnas.
Com essas atitudes quem sai perdendo é a sociedade. Perde o professor porque os governos têm, diante dessa situação, argumentos de sobra para não aumentar seus salários.
Por que os governos descompromissados com a educação não querem investir na formação continuada? Porque, exatamente, temem a melhoria do corpo docente que passará a reivindicar mais. Esse é o mesmo motivo de muitos municípios e estados brasileiros não desejarem concursos amplos para todos.
No entanto, se você acreditar em si mesmo precisará pensar em sua carreira ao longo da vida. Assim, busque direitos que conjuguem estabilidade com formação.
Por fim, só acreditará em si mesmo quem acreditar na própria capacidade de transformar e você, professor, é um elemento de transformação, não um piloto de livro didático.
PROF. HAMILTON WERNECK É DOUTOR EM EDUCAÇÃO.
CONTATO ZAPP: 027. 999896286
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