Assine nossa newsletter e fique por dentro de tudo que rola na sua região.
Quando a política reconhece que a nação é maior que dois nomes
A crítica de Suêd Haidar Nogueira à polarização brasileira não é retórica de campanha. É diagnóstico estrutural que pesquisadores de comportamento político vêm documentando há anos.
Eu não acredito mais na história de direita e esquerda. "O que tem hoje é essa polarização", afirmou a presidente do Democratas, posicionando-se fora do eixo que captura a maioria dos candidatos.
O dado é revelador: pesquisa do Instituto Datafolha de 2024 mostra que 67% dos eleitores estão cansados da polarização entre Bolsonaro e Lula, mesmo entre seus apoiadores.
A polarização brasileira não é ideológica em sentido clássico, é personalista. Reduz uma nação de 215 milhões de pessoas a duas figuras.
"A nação brasileira não se resume eaduas pessoas, em briga de duas pessoas. "Nós temos que ter compromisso moral, ética, resiliência e cuidar de uma coisa que é a vida do povo", complementou Suêd, oferecendo alternativa que transcende essa dinâmica.
Educação como fundação: a proposta que diferencia
Quando questionada sobre o diferencial do Democratas, Suêd não hesita. Educação é o pilar estruturante. "Sem educação, nós só construiremos mais presídios. E, para não ficarmos endividados com a nossa nação, com os nossos filhos, com as futuras gerações, inclusive de política, nós iremos construir escola de política."
A proposta articula dois níveis: reforma da educação básica e criação de instituição dedicada à formação de gestores públicos. Segundo dados do Banco Mundial, cada real investido em educação gera retorno de R$ 15 em desenvolvimento econômico.
No Brasil, investimento em educação permanece abaixo de 7% do PIB, enquanto países desenvolvidos alocam 6-7% — mas com qualidade superior.
Suêd compreende que educação não é apenas questão pedagógica. É questão de segurança pública, desenvolvimento econômico, redução de desigualdade e construção de cidadania.
"Nós temos que tomar vergonha na cara, sair dessa polarização", afirmou, reconhecendo que polarização é sintoma de déficit educacional.
Mulheres na política: herança de luta e responsabilidade de transformação.
A crítica de Suêd sobre papel das mulheres na política articula história, presente e futuro. "Depois de séculos, décadas da história feminina da mulher política, das nossas antecessoras que lutaram muito para que nós, da atualidade, chegássemos até aqui, tivéssemos o direito de votar e ser votada."
Sua observação é contundente: "E hoje um outro sexo é permitido que tome conta e jogue no lixo a luta feminina."
A frase não é apenas denúncia — é chamado à responsabilidade. Mulheres que conquistaram espaço político têm obrigação de honrar luta de antecessoras.
Os números refletem estrutura que ainda marginaliza participação feminina. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mulheres representam apenas 15% dos prefeitos eleitos em 2024 e 17% dos vereadores.
No Congresso Nacional, são 91 deputadas federais em 513 cadeiras (17,7%). Suêd reconhece essa realidade e propõe ação: "Independentemente disso, nós queremos só uma coisa: o respeito pela luta da mulher, o respeito pela luta de quem nós parimos, que são os nossos filhos, as nossas filhas, e que nos devolva o direito à vida."
Do quilombo ao comando político: quando trajetória legitima discurso.
O que diferencia Suêd de muitos candidatos é que seu discurso sobre transformação não é abstrato. É enraizado em experiência concreta. Eu quebrei coco babaçu no quilombo.
Eu pesquei, eu fiz carvão em caeira e chegamos até a audácia de fundar um partido político sem nenhum poderoso por trás.
A narrativa é poderosa porque é verdadeira. Suêd não fala sobre pobreza como observadora — fala como quem viveu. Não fala sobre empreendedorismo como teoria — fala como quem fundou instituição política do zero, sem apoio de oligarquias.
Essa trajetória confere legitimidade ao discurso sobre reconstrução institucional. "Então é com esta garra, com essa determinação que mais uma vez iremos cruzar o nosso país, fortalecendo as candidaturas femininas também no Democrata."
Corrupção como questão central: diagnóstico que une Brasil.
Quando abordada sobre perspectivas do Democratas em âmbito estadual e federal, Suêd ofereceu diagnóstico que transcende partidarismo.
"O que eu tenho visto aí é que nós temos que desbaratar, né, e acabar com essa quadrilha do poder que se afirmou não só aqui no estado do Rio de Janeiro, como no Brasil."
O Rio de Janeiro é caso emblemático. Desde 2014, três governadores foram presos por corrupção: Sergio Cabral (2014), Luiz Fernando Pezão (2018) e Wilson Witzel (2020).
Segundo relatório do Ministério Público Federal, Rio de Janeiro lidera ranking de estados com maior número de operações de combate à corrupção.
"Aqui no estado do Rio de Janeiro você vê quantos governadores já foram presos, presidente da ALERJ ao suplente e quantos prefeitos e quantos vereadores", questionou Suêd, identificando padrão que transcende gestões.
Responsabilidade institucional: quando partidos devem responder
Crítica particularmente incisiva de Suêd dirige-se aos próprios partidos.
"As instituições partidárias também, aí eu chamo a responsabilidade de todos os líderes políticos desse país que permitem com que os candidatos se elejam e fazem o desmando que nós estamos vivendo, da roubalheira, da corrupção."
A observação identifica problema estrutural: partidos políticos frequentemente funcionam como máquinas de captura de recursos públicos, não como instituições de formação política.
Segundo pesquisa do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), 73% dos brasileiros desaprovam desempenho dos partidos políticos.
Suêd propõe que mudança começa com comportamento diferente. "Se nós não tivermos um comportamento diferente do deles, nós seremos os mesmos.
"Para com isso, nós vamos acabar com isso, é, lançando nossas candidaturas aí e fazendo diferente do que essa gang está fazendo."
A proposta como resposta: quando política oferece alternativa.
O que diferencia Suêd de críticos que apenas denunciam é que ela oferece proposta estruturada.
Não é promessa vaga — é agenda com pilares definidos: educação como fundação, mulheres como agentes de transformação, comportamento ético como critério de seleção de candidatos, responsabilidade institucional como princípio.
"Para a nossa futura geração de políticos, de comando e de gestão no nosso país", afirmou, reconhecendo que mudança não é questão de um mandato, mas de reconstrução institucional que transcende ciclos eleitorais.
A candidatura de Suêd representa tentativa de oferecer alternativa política que não se reduz a personalidades, mas a instituições e comportamentos.
Em contexto em que polarização domina debate nacional, sua proposta oferece terceira via: não é direita, não é esquerda, é reconstrução.
Sobre Suêd Haidar Nogueira
Suêd Haidar Nogueira é presidente do Democratas e pré-candidata à presidência da República.
Fundadora do partido, ela representa a geração de mulheres que ocupam espaços de poder e articulam agenda de transformação institucional.
Sua trajetória — que inclui experiência em comunidades quilombolas e empreendedorismo político — legitima discurso sobre educação, ética e reconstrução da política brasileira.
Suêd posiciona-se fora do eixo polarizado que domina debate nacional, propondo que Brasil transcenda narrativa de direita versus esquerda para focar em questões estruturais: educação, corrupção, responsabilidade institucional e participação feminina.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Antonio Lemos @djportugues
Sigam e compartilhem o nosso Instagram. @jornalultimahoraonline
Nenhum comentário. Seja o primeiro a comentar!