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Conforme noticiado pelo Olhar Digital, nesta terça-feira (30), a NASA apresentou uma atualização sobre os planos para construir uma base permanente na Lua. O anúncio foi feito durante uma entrevista transmitida ao vivo, na qual o administrador-chefe, Jared Isaacman, e Carlos García-Galán, gerente do programa de bases lunares, detalharam os próximos passos do programa.
A transmissão começou pontualmente no horário previsto, às 15h30 (horário de Brasília). Na ocasião, eles explicaram a próxima etapa da seleção de missões e como pretendem estabelecer uma presença humana sustentável na superfície da Lua.
Jared Isaacman, administrador da NASA, e Carlos García-Galán, gerente do programa de bases lunares da agência, em entrevista ao vivo sobre as atualizações da base lunar – Crédito: NASA
Durante a apresentação, eles confirmaram a escolha de três empresas privadas que serão responsáveis por realizar quatro novas missões de pouso no solo lunar até o fim de 2028: Astrobotic, Firefly Aerospace e Intuitive Machines. Elas terão a importante tarefa de transportar equipamentos científicos até a superfície da Lua, contribuindo para expandir o conhecimento sobre o ambiente lunar e preparar o terreno para as próximas missões com astronautas.
Os contratos somam centenas de milhões de dólares. A Astrobotic receberá a quantia de US$297,9 milhões para executar duas missões, enquanto a Firefly Aerospace contará com US$144,2 milhões e a Intuitive Machines com US$148,3 milhões, ficando cada uma dessas duas últimas responsável por uma entrega.

O módulo Griffin-1, da Astrobotic, que fará parte do programa da construção da Base Lunar da NASA na Lua – Crédito: Divulgação/Astrobotic
Essas viagens fazem parte da iniciativa Commercial Lunar Payload Services (CLPS), um programa criado pela NASA para contratar empresas particulares para o transporte de experimentos e tecnologias. Essa estratégia comercial permite aumentar a frequência das missões e acelerar o desenvolvimento da infraestrutura necessária para explorar o satélite natural.
Segundo a agência, os veículos espaciais utilizarão versões modernizadas de módulos de pouso que já funcionaram com sucesso em voos anteriores. A expectativa é aproveitar a experiência acumulada no passado para aumentar a segurança e a confiabilidade das futuras operações na superfície lunar.
NASA anuncia novas oportunidades de parcerias público-privadas
A NASA também anunciou novas oportunidades para que empresas dos Estados Unidos participem do desenvolvimento da Base Lunar. A instituição quer ampliar a colaboração com o setor privado para acelerar a construção da estrutura necessária para as próximas décadas de exploração do espaço.
Entre os projetos está o envio do rover PROMISE, sigla em inglês para Rover Polar para Observação, Mapeamento e Exploração In Situ, uma plataforma experimental em forma de jipe inspirada no Perseverance, veículo que atualmente explora o planeta Marte. O objetivo é avaliar como esse tipo de equipamento funciona na Lua antes que uma versão definitiva comece a operar.
Caso seja aprovado pelos técnicos, o rover deverá estudar as características do solo e do subsolo lunar, criar mapas detalhados da região visitada e investigar a presença de recursos naturais que possam ser úteis em futuras missões, como o gelo de água e outros materiais de interesse científico.
Nos próximos meses, a NASA também pretende abrir novos chamados para empresas interessadas em desenvolver módulos de pouso capazes de testar sistemas de geração de energia, equipamentos eletrônicos e instrumentos de pesquisa destinados principalmente à região do Polo Sul da Lua.
Outra prioridade do projeto será criar uma rede de comunicação e navegação ao redor do satélite. Essa constelação de satélites funcionará como um sinal de internet e GPS local, permitindo uma troca de informações mais rápida e segura entre astronautas, robôs, veículos e os centros de controle na Terra.
Os contratos anunciados incluem ainda estudos para aperfeiçoar os veículos de pouso. As empresas prestadoras de serviço deverão analisar modelos semelhantes já utilizados em outras jornadas espaciais, identificar pontos de melhoria e incorporar as lições aprendidas para aumentar a proteção e diminuir os riscos nas próximas viagens.
Cada uma das missões levará três equipamentos científicos desenvolvidos pela própria agência. Um deles é o SCALPSS (Câmeras Estéreo para Estudos da Interação entre a Pluma do Motor e a Superfície Lunar), um conjunto formado por quatro câmeras que registrará em três dimensões (3D) o impacto gerado pelos motores das naves sobre a poeira da superfície no momento exato do pouso.
Essas imagens em vídeo permitirão entender como o solo reage à aproximação das espaçonaves. Essas informações serão fundamentais para planejar pousos futuros, especialmente quando veículos maiores precisarem operar perto uns dos outros sem levantar grandes nuvens de poeira que possam danificar as instalações.
Outro instrumento enviado será o LRA (cuja sigla em inglês significa Matriz de Retrorefletores Lunares), um pequeno conjunto de espelhos retrorefletores a laser. Ele funciona refletindo de volta os feixes de luz disparados por sondas e satélites que estão na órbita da Lua, o que ajuda a determinar posições no solo com altíssima precisão e facilita a navegação das missões.
Por ser um equipamento simples que não depende de energia elétrica nem de manutenção humana, o LRA pode continuar funcionando durante muitos anos. A intenção da NASA é criar uma rede permanente de pontos fixos de referência no chão, auxiliando a localização de espaçonaves e veículos de exploração.
O terceiro equipamento é o Espectrômetro de Transferência Linear de Energia (LETS). Esse instrumento medirá a intensidade e os tipos de radiação espacial encontrados tanto durante a viagem de ida até a Lua quanto na própria superfície do satélite natural.
Esses dados coletados ajudarão os cientistas a compreender melhor os riscos de saúde enfrentados pelos astronautas e o desgaste dos equipamentos eletrônicos. Com essas informações, será possível desenvolver sistemas de proteção e trajes mais eficientes para missões de longa duração e futuras viagens rumo a Marte.
Além das cargas e testes previstos inicialmente, a NASA estuda aproveitar a capacidade de peso dos módulos de pouso para transportar equipamentos extras em missões futuras, aumentando o número de experimentos científicos feitos em cada lançamento.
A Base Lunar representa um plano de longo prazo focado em criar uma presença humana constante na Lua, que servirá como uma plataforma para pesquisas científicas, demonstrações de novas tecnologias e atividades comerciais, além de preparar o caminho para as primeiras viagens com tripulação humana ao planeta Marte.
A estratégia é encurtar o tempo entre o desenvolvimento dessas tecnologias nos laboratórios e a sua aplicação prática em missões reais. Por isso, a NASA procura propostas que apresentem demonstrações completas, estudos de viabilidade e soluções integradas capazes de diminuir riscos de engenharia e preencher as lacunas na arquitetura da base.
As autoridades também anunciaram a abertura de uma nova solicitação de propostas por meio do programa NextSTEP-3, convidando empresas a apresentar ideias, tecnologias e testes práticos que possam acelerar a construção dessa presença humana permanente na Lua. O edital, chamado Anexo B: Demonstrações em Bases Lunares, deverá ser publicado no início de julho no Sistema de Gerenciamento de Contratos (SAM), plataforma virtual utilizada pelo governo dos Estados Unidos para processos de contratação e licitação pública.
A primeira chamada temática do edital será voltada ao desenvolvimento de sistemas de energia para abastecer a futura instalação lunar de forma contínua. Nas etapas seguintes, a agência pretende selecionar projetos em outras áreas consideradas estratégicas, como infraestrutura de construção, sistemas de comunicações, posicionamento geográfico, navegação e sincronização de tempo, transporte terrestre, mobilidade, módulos de habitação, robótica avançada, sistemas de autonomia, ciência lunar e conceitos de operação diária. A expectativa é que essas iniciativas acelerem a instalação gradual da Base Lunar e fortaleçam a parceria entre a NASA e a indústria no desenvolvimento das ferramentas necessárias para a exploração humana do universo.
Sobre a base lunar da NASA
A base lunar está prevista para ser construída nas proximidades do polo sul, região considerada estratégica por concentrar depósitos de gelo de água. Esse recurso poderá fornecer água potável, oxigênio para os astronautas e hidrogênio, que pode ser utilizado na produção de combustível para foguetes, reduzindo a necessidade de transportar esses materiais da Terra.
Nos últimos meses, a NASA revelou mudanças no programa de exploração lunar. O plano anterior incluía a construção da estação espacial Gateway, que ficaria em órbita da Lua e serviria como ponto de apoio para as missões. No entanto, no início deste ano, a agência anunciou que o projeto foi colocado em pausa para priorizar o desenvolvimento de uma base diretamente na superfície lunar.
A construção desse complexo dependerá de uma série de missões realizadas por módulos de pouso e veículos robóticos, responsáveis por transportar equipamentos e preparar o terreno antes da chegada dos astronautas. A expectativa é que a coletiva apresente detalhes sobre essas operações e informe quais empresas serão escolhidas para participar dessa nova fase.
Pouso humano na Lua está previsto para 2028
Até agora, a NASA já realizou duas missões do programa Artemis. Em 2022, a Artemis 1 levou uma cápsula Orion sem tripulação até a órbita da Lua e retornou com sucesso. Já neste ano, a Artemis 2 enviou quatro astronautas em um voo ao redor do satélite, ampliando os preparativos para as próximas etapas.
O próximo grande objetivo é a missão Artemis 3, prevista para ser lançada à órbita da Terra em 2027, com o objetivo principal de realizar testes de acoplamento com sistemas de pouso desenvolvidos pela SpaceX e a Blue Origin. Se a missão for bem-sucedida, a Artemis 4 poderá, finalmente, pousar astronautas na Lua, o que é esperado para o fim de 2028.
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