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Na semana do dia 15 de junho de 2026, a primeira caneta brasileira à base de semaglutida chega às farmácias, com preços a partir de pouco mais de R$ 400 por unidade e programas que podem baixar o custo para menos de R$ 300 por mês, pelo menos nos primeiros 90 dias de tratamento.
A nova geração de “canetinhas”
Demorou, mas finalmente chegou: o mercado brasileiro, enfim, ganhou uma nova geração de “canetas emagrecedoras” – como o povo apelidou os medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro – agora com uma opção fabricada aqui e com um preço um pouco mais acessível. Ou, para ser bem honesto, menos inacessível para a maioria dos brasileiros.
Estamos falando da Ozivy, da EMS, a primeira caneta de semaglutida produzida no Brasil por síntese química. Enquanto escrevo estas linhas, ela já aparece nos sites de grandes redes de farmácia, embora em muitos casos ainda sem o botão de compra ativado.
Até agora, boa parte das canetas de ação prolongada custava em torno de R$ 800 a R$ 1.000 por mês, mesmo com programas de laboratório, o que deixava esse tipo de tratamento bem longe do bolso da maioria.
Com a chegada de concorrentes nacionais e de programas de desconto mais agressivos, já existem esquemas de adesão com valores na faixa de R$ 399 a R$ 599 por mês, embora ainda pouco divulgados e pouco conhecidos pela população em geral. É o caso, por exemplo, de canetas como Extensior e Poviztra, da Eurofarma, que já vinham abrindo caminho para alternativas mais baratas.
No caso da Ozivy, a promessa é de um custo ainda mais baixo no início do tratamento, o que pode mudar bastante o panorama do manejo da obesidade e do sobrepeso no Brasil se essas promessas se confirmarem na prática e se o acesso realmente se ampliar.
Passo a passo para tentar pagar menos
Passo 1 – Consulta e receita
Converse com seu médico e veja se você realmente tem indicação. Não use a caneta porque o vizinho usou ou porque viu uma celebridade na internet falando. Cada caso é um caso, e a mesma caneta que ajuda uma pessoa pode trazer risco para outra.
Passo 2 – Programas de desconto
Depois da receita em mãos, vale pesquisar e pedir orientação sobre os programas de desconto disponíveis para a caneta que foi prescrita. Hoje, praticamente todos os grandes laboratórios têm programas próprios de benefícios e fidelidade.
O seu médico pode ajudar a indicar qual programa é compatível com o medicamento que ele recomendou. Em muitas clínicas, a equipe assistencial já está acostumada a orientar o paciente nessa etapa.
Passo 3 – Cadastro no site ou app do laboratório
Em geral, o paciente entra no site ou no aplicativo do programa do laboratório, faz um cadastro simples com CPF, e-mail e telefone, e registra os dados da receita. A partir daí, o desconto costuma ficar automaticamente vinculado ao CPF.
Alguns programas limitam o número de inscrições ou de unidades com desconto por CPF, então vale se informar direitinho sobre as regras antes de começar.
O mais importante!
Apesar de mais baratas, essas canetas continuam sendo medicamentos potentes, com efeitos colaterais e riscos quando usados sem indicação ou sem acompanhamento.
De forma alguma o uso de canetas substitui o acompanhamento nutricional e a prática regular de atividade física. Elas podem ser uma ferramenta importante, mas não mudam o básico do tratamento da obesidade: dieta e treino. Também é essencial monitorar o tratamento com exames periódicos e, idealmente, com uma balança de bioimpedância, que ajuda a saber o que exatamente está sendo perdido: peso total, gordura corporal e massa muscular. Perder só número na balança, às custas de músculo, não é geralmente um bom negócio!
* Dr. Noé Alvarenga é médico nutrólogo (CRM 55524-5 RJ – RQE 33056), com atuação focada no tratamento da obesidade e sobrepeso, na nutrologia clínica e no manejo responsável de terapias metabólicas, incluindo agonistas de GLP-1 quando indicados. É fundador da Clínica Nutrobarra com unidades na Barra da Tijuca, no Shopping Downtown, e em Del Castilho, no Shopping Nova América, no Rio de Janeiro. Seu trabalho é voltado para estratégias baseadas em evidências em obesidade, saúde metabólica e longevidade, com abordagem ética, individualizada e centrada no paciente.
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