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Aparecida aposta em saúde inovadora e tarifa zero para receber 10 milhões de turistas por ano
Prefeito Zé Louquinho anuncia distribuição de Mounjaro, cannabis medicinal e tadalafila pelo SUS, além de transporte gratuito, em cidade que recebe 1 milhão de visitantes por mês
O prefeito que mexe no tabuleiro da saúde pública
Aparecida, a capital da fé que recebeu 10 milhões de turistas em 2025, está vivendo uma revolução silenciosa na gestão pública. O responsável é José Luiz Rodrigues, o Zé Louquinho (PL), 69 anos, em seu terceiro mandato como prefeito da cidade de 36 mil habitantes — que precisa se virar para atender uma população flutuante que chega a 1 milhão de pessoas por mês.
Em entrevista ao programa Conecta Cidades, Zé Louquinho detalhou um conjunto de medidas que têm chamado a atenção dentro e fora do Vale do Paraíba. Entre elas, a decisão de incorporar ao SUS municipal três medicamentos que geram debate no país: Mounjaro (tirzepatida), cannabis medicinal e tadalafila.
“Estamos colocando na área da saúde o Mounjaro, a cannabis e o Tadala para a população. A cidade vai ficar bem mais animada”, disse o prefeito, em tom que mescla o bom humor que lhe rendeu o apelido com a seriedade de quem comanda a máquina pública.
Mounjaro, cannabis e tadalafila: o que está por trás do anúncio
A proposta de Zé Louquinho é ofertar os três medicamentos à população de baixa renda por meio da rede municipal de saúde. Cada um deles tem indicações distintas e amparo legal específico.
O Mounjaro (tirzepatida) é um medicamento aprovado pela Anvisa originalmente para diabetes tipo 2, mas que em junho de 2025 recebeu nova indicação para o tratamento da obesidade em pacientes com IMC igual ou superior a 27 kg/m² na presença de comorbidades. Um projeto de lei em tramitação no Senado (fevereiro de 2026) propõe liberar a produção nacional do fármaco para ampliar a oferta no SUS. Cidades como Urupês (SP) já anunciaram programas municipais de distribuição gratuita com acompanhamento multidisciplinar.
A cannabis medicinal tem respaldo na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 660/2022 da Anvisa, que regulamenta a importação de produtos derivados de cannabis para fins medicinais. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 635.659 (Tema 506), reconheceu a atipicidade penal do cultivo para fins medicinais com autorização judicial. Diversos municípios brasileiros já implementam programas de distribuição de canabidiol pelo SUS.
A tadalafila, por sua vez, é um medicamento amplamente utilizado para disfunção erétil, mas também indicado para hiperplasia prostática benigna e hipertensão arterial pulmonar. Zé Louquinho fez questão de esclarecer o uso: “Muita gente fala: 'Ó, o Tadala', mas o Tadala também é um remédio dilatador para quem tem problema de próstata e de circulação, que é uma das maiores causas de câncer no homem.”
O prefeito foi cauteloso ao falar sobre os protocolos: “Estou saindo para prefeito, não para dar aula. Quem receita é médico. Eu não sou médico.” A declaração reflete a preocupação em não banalizar o uso dos medicamentos, deixando claro que a distribuição será feita sob prescrição e acompanhamento profissional.
Transporte tarifa zero: o passe livre que conecta a cidade
Outra frente de inovação é o transporte público. A Câmara Municipal de Aparecida aprovou o Projeto de Lei nº 057/2025, que institui o Programa “Transporte Coletivo Gratuito — Passe Livre”, de caráter permanente.
A lei, publicada em 7 de maio de 2026, estabelece a oferta gratuita de transporte municipal para moradores e visitantes. O programa prevê inicialmente duas linhas de ônibus que ligam os extremos da cidade, conectando os principais pontos turísticos e bairros residenciais.
“É muito importante tanto para o munícipe quanto para os turistas, que vão poder ir de um ponto turístico a outro sem pagar a tarifa”, explicou Zé Louquinho. A prefeitura finalizou a licitação da primeira etapa e a empresa contratada já iniciou os estudos das linhas.
Aparecida se junta a um movimento crescente no país. Segundo levantamento do Instituto de Energia e Meio Ambiente, mais de 100 cidades brasileiras já adotaram algum modelo de tarifa zero no transporte público, entre elas Caucaia (CE), Maricá (RJ) e Pirapora do Bom Jesus (SP).
PATA: o centro veterinário que virou política pública
Em abril de 2026, a prefeitura assinou convênio para a administração do PET Container, espaço destinado ao atendimento de cães e gatos, com prioridade para a população de baixa renda. O projeto ganhou o nome de PATA — Ponto de Atendimento para Animais.
“Inauguramos o projeto PATA, que é o ponto de atendimento para os animais, cachorro, gato, com veterinário, com toda a estrutura para os animais”, afirmou o prefeito. O centro de atendimento veterinário foi batizado como “Ana Carolina Aparecida dos Santos.”
A iniciativa responde a uma demanda crescente da população: 67% dos lares brasileiros têm pelo menos um cão ou gato, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). O serviço público veterinário gratuito ainda é raro no país, concentrado em poucas capitais e cidades de médio porte.
Taxa de turismo: o projeto que não emplacou
Nem tudo saiu como planejado. Em setembro de 2025, Zé Louquinho protocolou na Câmara um projeto de taxa de turismo sustentável, com cobrança diária de R$ 5 a R$ 70 para motoristas que entrassem na cidade. A justificativa era o custo do impacto turístico em infraestrutura, limpeza e segurança.
O projeto gerou polêmica e foi retirado duas vezes. Em janeiro de 2026, o prefeito anunciou nas redes sociais que deixaria a proposta para a próxima gestão, a partir de 2029. A decisão foi recebida com alívio por comerciantes e pelo setor hoteleiro, que temiam queda no fluxo de visitantes.
Aparecida, a cidade que recebe 10 milhões por ano
Com 36 mil habitantes e 70 mil leitos de hotel, Aparecida vive uma equação única no turismo brasileiro. O fluxo de romeiros é tão intenso que o número de leitos disponíveis supera em dobro a população residente.
“Só para você ter uma noção, Aparecida tem 36 mil habitantes, mais de 70 mil leitos de hotel, 80 mil leitos no total”, destacou o prefeito. “Hoje melhorou muito a rede hoteleira. Antigamente era pensão, era coisa simples. Hoje temos para todas as faixas: classe média, classe alta. Temos hotel nota 9.”
Entre os principais pontos turísticos estão o Santuário Nacional — um dos maiores do mundo —, o teleférico, o Porto Itaguaçu (onde a imagem foi encontrada), o relógio das flores, a igreja velha e o recém-inaugurado Monumento dos Pescadores, que marca o Marco Zero da cidade. O monumento homenageia João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia, os pescadores que encontraram a imagem de Nossa Senhora em 1717.
O comércio ambulante também é gigante: 2.500 ambulantes atuam na cidade, atraindo compradores de todo o Brasil. “A competitividade é o preço menor do Brasil. Vem gente do Brasil inteiro para fazer compra no comércio ambulante”, afirmou Zé Louquinho.
História: de vila de pescadores a capital da fé
A história de Aparecida começa em outubro de 1717, quando três pescadores — João Alves, Filipe Pedroso e Domingos Garcia — encontraram a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida no Rio Paraíba do Sul. O local tornou-se ponto de peregrinação.
A capela foi inaugurada em 1745 no Morro dos Coqueiros. Em 1904, a imagem foi coroada Rainha do Brasil pela Princesa Isabel. Em 1930, o Papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. A atual Basílica, iniciada em 1955, foi consagrada pelo Papa João Paulo II em 1980, que lhe concedeu o título de Basílica Menor.
O município foi criado oficialmente em 17 de dezembro de 1928, desmembrado de Guaratinguetá. O apelido “Aparecida do Norte” vem da Estrada de Ferro Central do Brasil: os romeiros desciam na estação “Norte” de São Paulo e passaram a chamar o destino de Aparecida do Norte, nome eternizado na música de Tonico & Tinoco.
Sobre Zé Louquinho
José Luiz Rodrigues, o Zé Louquinho, é prefeito de Aparecida (SP) pelo Partido Liberal, eleito para o terceiro mandato em 2024 com coligação que reuniu PL, DC e PSB. Nascido em 2 de dezembro de 1955, é administrador e gestor público. Iniciou a carreira política como vereador (1989-1992), quando presidiu a Câmara Municipal (1989-1990). Conhecido pelo estilo irreverente — que lhe rendeu o apelido e presença em programas como Jô Soares e CQC —, Zé Louquinho é reconhecido por propor soluções criativas para os desafios de uma cidade que recebe 10 milhões de turistas por ano. Em sua atual gestão, implementou o programa tarifa zero, o centro de atendimento veterinário PATA e a distribuição de medicamentos inovadores pelo SUS. Tem 7.300 seguidores no Instagram (@zelouquinholouquinho) e mantém presença ativa nas redes, onde anuncia pessoalmente as medidas da administração.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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