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Prefeito Jones Cunha defende autonomia municipal e soluções para a crise agrícola no Rio Grande do Sul
A mobilização municipalista na capital federal
A XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, realizada em maio de 2026, consolidou-se como um dos maiores palcos de articulação política do país. Entre as lideranças de destaque, o prefeito de Horizontina, Jones Jehn da Cunha, encabeçou uma robusta comitiva da região noroeste do Rio Grande do Sul. O grupo, composto por 45 representantes entre prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e secretários, levou ao Congresso Nacional as demandas urgentes de uma região que é motor da economia gaúcha.
O movimento, organizado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), ocorre em um momento de extrema sensibilidade para as administrações locais. Jones Cunha, que também preside a Associação dos Municípios da Fronteira Noroeste (AMUFRON), utilizou o espaço para pressionar por um olhar mais atento às cidades. Para o gestor, o ambiente de Brasília exige uma postura firme para garantir que as políticas públicas e os recursos federais cheguem efetivamente à ponta, onde a população reside.
O desafio do caixa vermelho e o pacto federativo
A principal preocupação levada ao Congresso diz respeito ao desequilíbrio entre as responsabilidades atribuídas aos municípios e a arrecadação disponível. Dados da CNM apontam que, em 2025, cerca de 54% dos municípios brasileiros fecharam as contas no vermelho, acumulando um déficit de R$ 33 bilhões. Jones Cunha alertou para a tramitação de projetos que aumentam as despesas obrigatórias das prefeituras sem a devida indicação da fonte de custeio, o que compromete a manutenção de serviços essenciais.
Embora Horizontina mantenha suas contas equilibradas, o prefeito ressaltou a importância da solidariedade entre os gestores. A sustentabilidade financeira das cidades é vista como o pilar para a prestação de serviços de saúde, educação e infraestrutura. A crítica central recai sobre a centralização de recursos na União, enquanto os problemas cotidianos, como a manutenção de estradas e o atendimento básico, sobrecarregam os orçamentos municipais de forma desproporcional.
A força econômica de Horizontina no cenário nacional
Com 71 anos de história e uma população de aproximadamente 20 mil habitantes, Horizontina ostenta um orçamento anual de R$ 260 milhões, valor expressivo para o seu porte. O município é um polo industrial estratégico, abrigando uma das principais fábricas de colheitadeiras da América Latina, a John Deere. A indústria é o principal empregador da cidade e impulsiona um PIB que gira em torno de R$ 1,8 bilhão, colocando a cidade em posição de destaque no Noroeste gaúcho.
Essa vocação industrial caminha lado a lado com uma agricultura forte e tecnificada. No entanto, o setor enfrenta desafios climáticos severos. Entre 2025 e 2026, o Rio Grande do Sul foi atingido por uma seca extrema que comprometeu a produtividade das lavouras. Jones Cunha defendeu em Brasília a securatização das dívidas dos produtores rurais, argumentando que o apoio ao campo é vital para a estabilidade econômica de todo o estado e para a manutenção da arrecadação municipal.
Liderança regional e foco em inovação
A atuação de Jones Cunha transcende os limites de Horizontina. À frente da AMUFRON, ele tem buscado integrar os municípios da fronteira noroeste em torno de pautas de desenvolvimento comum. Um exemplo dessa visão foi o Noroeste Summit 2025, evento que reuniu gestores e especialistas para discutir inovação na gestão pública. O prefeito defende que a modernização dos processos administrativos é o caminho para otimizar recursos e oferecer respostas mais rápidas às demandas da sociedade.
O posicionamento político de Cunha também chama a atenção pela busca de neutralidade institucional. Em um cenário nacional polarizado, o prefeito reforça que a gestão pública deve ser exercida para todos os cidadãos, independentemente de preferências partidárias. Para ele, uma vez eleito, o compromisso do gestor é com a comunidade, e o diálogo com as esferas estadual e federal deve ser pautado exclusivamente pelos interesses técnicos e sociais da população.
Perspectivas para o futuro da gestão municipal
O encerramento da marcha em Brasília deixou uma agenda clara de acompanhamento legislativo para os próximos meses. A comitiva liderada por Jones Cunha retorna ao Rio Grande do Sul com a missão de monitorar o avanço das pautas de arrecadação e os auxílios emergenciais para a agricultura. A expectativa é que a pressão exercida pelos prefeitos resulte em uma revisão do pacto federativo que alivie a pressão sobre os cofres municipais.
Para Horizontina, o foco permanece na atração de novos investimentos e na consolidação do município como um centro de tecnologia para o agronegócio. Jones Cunha reitera que a união entre indústria forte e agricultura resiliente é a fórmula que garante a qualidade de vida dos horizontinenses. O desafio agora é transformar a articulação política feita na capital federal em benefícios concretos que assegurem o crescimento sustentável da região nos próximos anos.
Biografia: Jones Jehn da Cunha
Jones Jehn da Cunha é o atual prefeito de Horizontina, Rio Grande do Sul, eleito pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Com uma trajetória marcada pela gestão pública e liderança setorial, Cunha assumiu a presidência da Associação dos Municípios da Fronteira Noroeste (AMUFRON), onde coordena ações de desenvolvimento regional para mais de 20 municípios. Sua gestão em Horizontina é reconhecida pelo equilíbrio fiscal e pelo fomento ao polo industrial metal-mecânico, mantendo parcerias estratégicas com grandes empresas como a John Deere. É um defensor do municipalismo e da inovação tecnológica como ferramentas de transformação social.
Fontes reais de pesquisa
Confederação Nacional de Municípios (CNM) - Relatório de Finanças Municipais 2025. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - Cidades e Estados: Horizontina-RS. Associação dos Municípios da Fronteira Noroeste (AMUFRON) - Atas de Assembleia e Diretoria. Prefeitura Municipal de Horizontina - Portal da Transparência e Dados Orçamentários. Relatórios de Impacto Econômico do Setor Agrícola do Rio Grande do Sul 2025-2026.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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