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Na entrada da Marquês de Sapucaí, momentos antes do desfile da União de Maricá pela Série Ouro, a rainha de bateria Rayane Dumont concedeu entrevista exclusiva demonstrando profunda emoção por liderar a "Maricadência" em um enredo que considera profundamente representativo.
Nascida e criada em Maricá, ela destacou como o tema "Berenguendéns e Balangandãs", desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, celebra a força e ancestralidade das mulheres negras através da simbologia das joias-amuletos.
Emoção à flor da pele.
"Daqui a pouquinho falta pouco." Uma emoção de chegar, dá vontade de chorar, gente, o tempo inteiro", revelou Rayane, evidenciando como a proximidade do desfile intensifica as emoções de quem vive o Carnaval com paixão genuína. Esta reação espontânea demonstra autenticidade e conexão visceral com a experiência carnavalesca.
A intensidade emocional descrita por Rayane reflete não apenas a responsabilidade de liderar uma bateria, mas também a consciência de que está representando sua comunidade e suas origens em um dos palcos mais importantes da cultura brasileira.
Representatividade e identidade.
"Eu que sou nascida e criada em Maricá, rainha de bateria da comunidade, com um enredo fortíssimo como esse que me representa, mas representa milhares de mulheres pretas, exaltando nossas mulheres pretas", declarou Rayane, evidenciando como sua participação transcende o aspecto individual para se tornar representação coletiva.
Esta consciência sobre representatividade adiciona peso e significado especial à sua performance, transformando sua presença na avenida em um ato de celebração e resistência cultural que ecoa as experiências de milhares de mulheres negras brasileiras.
Trajetória consolidada na escola.
"Tô na escola desde 2018, fui passista em 2020, virei rainha." Estou na escola há 6 anos no posto de rainha de bateria", relatou Rayane, demonstrando como construiu uma carreira sólida e progressiva dentro da União de Maricá.
Esta trajetória de crescimento dentro da escola, passando de passista a rainha de bateria, evidencia dedicação, competência e reconhecimento da comunidade carnavalesca, características fundamentais para quem assume posições de liderança no Carnaval.
Simbolismo profundo dos balangandãs.
"Muito berenguendéns, exaltando as mulheres pretas, falando dos adornos, acessórios, que não são só questão de estética, mas que são símbolos de proteção, de fé", explicou Rayane, revelando a profundidade cultural e espiritual do enredo desenvolvido por Leandro Vieira.
Esta compreensão sobre o significado dos balangandãs demonstra como Rayane se apropriou intelectualmente do tema, permitindo que sua performance seja informada não apenas pela técnica, mas também pelo conhecimento histórico e cultural que o enredo representa.
Joia negra personificada.
"Eu estou aqui hoje vestida de joia, vestida de joia negra, né? A joia negra do berenguendéns e balangandãs", declarou Rayane, evidenciando como ela própria se transforma em representação viva do conceito central do enredo.
Esta personificação da "joia negra" cria uma conexão poética e visual poderosa entre a rainha de bateria e o tema do desfile, transformando sua presença em elemento narrativo fundamental da apresentação da União de Maricá.
Enredo "Berenguendéns e Balangandãs"
O enredo concebido por Leandro Vieira celebra a história da joalheria produzida por negros no Brasil, utilizando os balangandãs como símbolos de fé, proteção e liberdade. Esta abordagem afrocentrada valoriza a contribuição cultural e econômica das mulheres negras na formação da identidade brasileira.

O tema conecta passado e presente, mostrando como as tradições ancestrais continuam vivas e relevantes, especialmente na celebração da força feminina negra e sua capacidade de resistência e criação de beleza mesmo em contextos adversos.
Samba-enredo de qualidade.
A composição do samba-enredo, criada por Babby do Cavaco, Rafael Gigante, Marcelo Adnet, Jefferson Oliveira, Hélio Porto e André do Posto 7, inclui versos marcantes como "Claro, tinha que ser preto!" E a exaltação à "nêga da ladeira do Pelô".
Estes versos reforçam a mensagem de orgulho e afirmação da identidade negra, criando um hino que celebra não apenas a beleza estética dos balangandãs, mas também a força cultural e espiritual que eles representam.
Presença de Evelyn Bastos.
O desfile da União de Maricá conta também com a presença especial de Evelyn Bastos, rainha da Mangueira, como destaque no abre-alas. Esta participação adiciona prestígio ao desfile e reforça a celebração da ancestralidade e do poder feminino negro.
A presença de duas rainhas de bateria de destaque no mesmo desfile simboliza a união e solidariedade entre mulheres negras do Carnaval, fortalecendo a mensagem de representatividade e empoderamento que o enredo propõe.
Maricadência: bateria com identidade.
A bateria "Maricadência", comandada por Rayane, representa a fusão entre a tradição percussiva do samba e a identidade local de Maricá. Este nome sugere cadência, ritmo e movimento, elementos fundamentais para o sucesso de qualquer escola de samba.
A liderança de Rayane à frente da Maricadência demonstra como rainhas de bateria podem ser mais que figuras decorativas, assumindo papel ativo na condução rítmica e energética que sustenta toda a apresentação da escola.
Conexão com as origens.
A declaração de Rayane sobre ser "nascida e criada em Maricá" evidencia sua conexão autêntica com a comunidade que representa. Esta ligação genuína com as origens adiciona credibilidade e emoção à sua performance, pois ela não está apenas desfilando, mas celebrando sua própria história.
Esta autenticidade é fundamental no Carnaval, onde a verdade emocional e cultural muitas vezes faz a diferença entre uma apresentação técnica e uma experiência transformadora para quem assiste e participa.
Preparação emocional e técnica.
"Eu tô muito feliz, emocionada, mas pronta, né, pra gente fazer o melhor na avenida", declarou Rayane, demonstrando como consegue equilibrar a intensidade emocional com a preparação técnica necessária para liderar uma bateria de escola de samba.
Esta capacidade de canalizar emoção em performance de qualidade é característica de grandes rainhas de bateria, que precisam manter controle e liderança mesmo em momentos de alta tensão emocional.
Presença digital estratégica.
"@rayanedumont, meu Instagram", orientou Rayane, mantendo conexão com o público por meio das redes sociais. Esta presença digital permite que ela continue sendo referência e inspiração para outras mulheres mesmo após o Carnaval.
A manutenção de perfil ativo nas redes sociais é fundamental para rainhas de bateria que buscam consolidar sua influência e criar oportunidades profissionais além do período carnavalesco.

Por Robson Talber, @robsontalber
Repórter Antonio Lemos @djportugues
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