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Castro, Lewandowski e coronel Menezes anunciam Escritório Emergencial contra o crime organizado no Rio. Medida integra esforços estaduais e federais após operação histórica coordenada pelo secretário de PM que resultou em mais de 120 mortes no combate ao Comando Vermelho.
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o coronel Marcelo de Menezes Nogueira, secretário de Polícia Militar, anunciaram nesta quarta-feira (29) a criação do Escritório Emergencial de Combate ao Crime Organizado. A decisão histórica foi tomada após o sucesso da megaoperação coordenada pelo coronel Menezes nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou em mais de 120 mortes e é considerada a ação mais letal da história do estado. A iniciativa marca uma nova era na cooperação entre as esferas estadual e federal no enfrentamento às organizações criminosas que aterrorizam a população carioca há décadas.
A operação que motivou a criação do escritório foi planejada durante dois meses sob a coordenação do coronel Menezes, utilizando dados de inteligência, análise de imagens e mapeamento de rotas de fuga. "Foi um dia histórico para a segurança pública do estado do Rio de Janeiro", declarou o oficial durante coletiva de imprensa no Palácio Guanabara. O trabalho conjunto entre Polícia Civil e Militar, liderado pelo experiente coronel com mais de 30 anos de corporação, desferiu o que autoridades classificam como "o mais duro golpe" já aplicado ao Comando Vermelho, principal facção criminosa atuante na capital fluminense.
O Escritório Emergencial será coordenado pelo secretário estadual de Segurança, Victor Santos, e terá como objetivo principal articular ações conjuntas entre as forças de segurança estaduais e federais. Durante a reunião no Palácio Guanabara, Castro e Lewandowski discutiram também a possibilidade de uso da Garantia da Lei e da Ordem (GLO), mas o governador descartou a necessidade dessa medida. "Ele é capaz, ele não precisa de GLO, porque ele é capaz de ganhar batalhas", destacou o coronel Menezes, ecoando a confiança do governador nas forças estaduais, embora reconheça que "para ganhar a guerra precisa realmente de todos os estados e governadores".
Além da criação do escritório, o ministro Lewandowski anunciou um pacote robusto de medidas de apoio federal. Entre as principais iniciativas estão o reforço de 50 agentes na Polícia Rodoviária Federal, o aumento significativo do efetivo de inteligência no estado, a disponibilização de vagas em presídios federais e a convocação de peritos especializados para auxiliar nas investigações. Essas medidas representam um investimento substancial do governo federal na segurança fluminense, mesmo diante da crise orçamentária enfrentada pela União, demonstrando a prioridade dada ao combate ao crime organizado no Rio de Janeiro.
O coronel Menezes enfatizou durante a coletiva que a operação trouxe os holofotes para o Rio de Janeiro devido ao "poderio bélico dessas organizações criminosas" que possuem caráter nacional. Segundo o oficial, o Comando Vermelho está presente em 25 estados da federação, além do Distrito Federal, o que torna fundamental a integração entre diferentes níveis de governo. "Mais do que nunca se faz necessário uma integração e uma atuação de atores que não estão efetivamente fazendo seu papel na segurança pública", alertou o secretário de PM, ressaltando a importância do novo escritório para compartilhar dados de inteligência e coordenar ações conjuntas.
Durante o anúncio, o ministro Lewandowski fez questão de esclarecer conceitos importantes para o debate público sobre segurança. Ele diferenciou o terrorismo do crime organizado, divergindo da terminologia "narcoterrorismo" frequentemente usada por autoridades estaduais para se referir ao Comando Vermelho. Segundo o ministro, o terrorismo envolve motivações ideológicas, enquanto as facções criminosas atuam primariamente com fins lucrativos, especialmente no tráfico de drogas e outras atividades ilícitas. Essa distinção conceitual é fundamental para o desenvolvimento de estratégias adequadas de combate a cada tipo de ameaça.
O coronel Menezes, que traz uma vasta experiência acadêmica e profissional para essa missão, é graduado em Direito pela Universidade Gama Filho e em Engenharia Civil pela Universidade Estácio de Sá. Aos 52 anos, o oficial construiu uma carreira sólida atuando em áreas estratégicas como planejamento operacional, inteligência e gestão de pessoal, tendo comandado unidades importantes como o 17º BPM e o Regimento de Polícia Montada. Sua experiência em três comandos intermediários e sua passagem por órgãos públicos estaduais e municipais ampliaram significativamente sua visão como gestor, qualificações que se mostraram fundamentais para o sucesso da operação histórica.
A criação do Escritório Emergencial representa apenas o primeiro passo de uma estratégia mais ampla de reformulação da segurança pública brasileira. O ministro Lewandowski revelou que a iniciativa é um passo inicial para a futura PEC da Segurança Pública, que ainda será votada no Congresso Nacional. Paralelamente, um projeto de lei para aumentar as penas contra crimes relacionados a facções criminosas já foi apresentado ao Legislativo, demonstrando o comprometimento do governo federal em fortalecer o arcabouço legal de combate ao crime organizado.
A operação coordenada pelo coronel Menezes enfrentou forte resistência por parte dos criminosos, resultando em confrontos intensos que deixaram policiais mortos e feridos. "A gente se solidariza com os policiais que foram mortos, solidariza com as famílias dos policiais que foram mortos", declarou o oficial, demonstrando a humanidade e o respeito pelas vítimas que marcaram essa vitória custosa, mas necessária. Apesar das perdas, os resultados operacionais foram considerados "muito robustos e exitosos", representando um marco na luta contra o crime organizado no estado.
O sucesso da operação e a subsequente criação do Escritório Emergencial sinalizam uma mudança de paradigma na abordagem ao crime organizado no Brasil. A integração efetiva entre as esferas estadual e federal, o compartilhamento de inteligência e a coordenação de ações conjuntas representam avanços significativos na capacidade de resposta do estado contra organizações criminosas cada vez mais sofisticadas. O coronel Menezes e sua equipe demonstraram que, com planejamento adequado, inteligência estratégica e coragem operacional, é possível desferir golpes decisivos contra estruturas criminosas que pareciam intocáveis.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
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