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Empreender sem proteção é como construir sobre areia: a advogada que tornou a segurança previdenciária sua missão de vida
Em 18 anos de carreira, Suelen Garcia de Paula já atendeu milhares de empreendedores que descobriram tarde demais que não estavam protegidos. Sua mensagem é direta: cuidar da previdência não é burocracia, é sobrevivência.
Ela tem um escritório que já atravessa duas décadas de existência, atende clientes em todo o Brasil e acaba de estampar a capa da Revista Tok de Empreendedorismo, que celebrou dois anos no imponente Palácio Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro.
Mas, por trás do currículo recheado de honrarias — que inclui o Diploma de Honra ao Mérito concedido pela Câmara Municipal de Goiânia e a posse na Comissão de Direito Previdenciário, Suelen Garcia de Paula carrega uma história pessoal que a levou a escolher uma das áreas mais estratégicas e, paradoxalmente, mais negligenciadas do direito brasileiro: a previdência.
"Em 2010 eu precisei disso e realmente não tinha essa segurança que você tanto fala", revelou durante a entrevista concedida ao Jornal da República Timorol, no evento que marcou o segundo aniversário da publicação idealizada por Mônica Figueira e Márcia Gomes.
A frase, dita sem rodeios, condensa uma realidade que atinge milhões de brasileiros: empreender já é difícil, mas empreender sem qualquer rede de proteção pode ser devastador.
A epidemia silenciosa da informalidade previdenciária
Os números ajudam a dimensionar o problema que Suelen Garcia enfrenta diariamente em seu escritório.
Segundo estudo do Sebrae, com base em dados do IBGE, apenas 18,6% dos 20 milhões de donos de negócios sem CNPJ contribuem para a Previdência Social.
Isso significa que mais de 16 milhões de empreendedores informais estão completamente desprotegidos — sem acesso a aposentadoria, auxílio-doença, pensão por morte ou salário-maternidade.
O quadro é ainda mais amplo. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados pela Agência Brasil, apontam que mais de 32 milhões de brasileiros trabalham como autônomos informais ou sem carteira assinada. Desses, cerca de dois terços não contribuem para o INSS.
"O que a maioria das pessoas faz? Primeiro empreendem, depois pensam na própria segurança. "Meu trabalho é justamente pensar na segurança previdenciária de cada um", afirma Suelen.
Em 2025, o país atingiu um recorde de 66,8% dos trabalhadores com cobertura previdenciária, segundo o IBGE, mas o indicador também revela que um terço da força de trabalho brasileira ainda opera à margem do sistema — desassistida e vulnerável a qualquer imprevisto.
Quando o empreendedor descobre que não está seguro
A especialista em Direito Previdenciário, com pós-graduação e mais de 2.200 processos registrados em seu nome no JusBrasil, atende predominantemente empreendedores que só procuram ajuda depois que algo dá errado.
O padrão se repete: um MEI que sofre um acidente e descobre que não terá auxílio-doença porque atrasou as contribuições; uma microempreendedora diagnosticada com uma doença grave que não consegue se afastar porque não contribuiu regularmente; um empresário que falece e deixa a família sem pensão.
"Se algo acontecer com você, se você tiver que parar de trabalhar amanhã, como vai sustentar sua família e você mesmo?" Como você cuida da sua saúde? Você está segurado na previdência? Tem algum plano de previdência? Tem uma segunda renda?
As perguntas, feitas por ela durante a entrevista, ecoam o alerta que o Ministério da Previdência Social vem repetindo: atualmente, o INSS paga 24,3 milhões de aposentadorias por mês e injeta R$ 47,4 bilhões na economia brasileira — um volume que só será sustentável se a base de contribuintes crescer no mesmo ritmo do envelhecimento populacional.
O Brasil já tem 34,1 milhões de pessoas com mais de 60 anos, segundo o IBGE.
Um negócio de quase 20 anos construído a duas mãos.
Suelen Garcia de Paula não chega ao protagonismo da capa da Revista Tok por acaso.
O escritório que comanda ao lado do marido — que também é seu sócio — completou 18 anos de atividade em 2026, operando na modalidade online para todo o Brasil e com sedes presenciais.
O modelo híbrido, que muitos escritórios só adotaram após a pandemia, já era realidade desde 2008.
"Nós temos esse escritório desde 2008, atendendo no Brasil todo, na modalidade do escritório online e nas nossas sedes presenciais também", explicou.
São 20 anos de mercado — que serão completados em 2028 — dedicados exclusivamente a "cuidar de gente", como ela mesma define.
A longevidade do negócio impressiona em um setor onde, segundo o Sebrae, a taxa de mortalidade de pequenos negócios chega a 29% nos primeiros cinco anos.
No caso de escritórios de advocacia, o percentual de fechamento precoce também é elevado, especialmente entre profissionais que atuam de forma isolada.
Ela integra ainda a Comissão de Direito Previdenciário, onde contribui para o debate sobre aprimoramento das políticas de proteção social no país.
Em março de 2026, foi agraciada com o Diploma de Honra ao Mérito pela Câmara Municipal de Goiânia, reconhecimento pelo trabalho prestado à comunidade.
A experiência pessoal que virou combustível profissional
Suelen não esconde que sua atuação é alimentada por uma vivência pessoal.
Em 2010, quando precisou dos benefícios previdenciários que hoje defende, descobriu na prática o que significa estar desprotegida. Foi essa experiência que a levou a se especializar e a construir uma carreira focada em evitar que outros empreendedores passassem pelo mesmo desamparo.
Sua trajetória ilustra um fenômeno identificado pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), em parceria com o Sebrae: o Brasil tem hoje a maior taxa de empreendedorismo feminino da série histórica, com 10,4 milhões de mulheres à frente de negócios próprios, um crescimento de 42% desde 2012.
No entanto, a pesquisa também revela que as mulheres empreendedoras ainda são mais vulneráveis do ponto de vista previdenciário, com menor acesso a planos de aposentadoria complementar e maior dependência do sistema público.
O alerta de Suelen ganha contornos ainda mais dramáticos quando se considera que, para o MEI, a contribuição mensal ao INSS equivale a apenas 5% do salário mínimo (R$ 81,05 sobre o piso de R$ 1.621 em 2026). Um valor relativamente baixo que garante acesso à aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte para os dependentes.
"A contribuição para o INSS não serve apenas para aposentadoria.
Ela garante proteção em vida. "Quem empreende precisa entender que segurança previdenciária não é despesa — é investimento na própria continuidade do negócio e da família", reforça a advogada.
A noite no Palácio Tiradentes
O evento que marcou o segundo aniversário da Revista Tok de Empreendedorismo, realizado no Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, edifício centenário que abrigou a Câmara dos Deputados e foi palco da promulgação das Constituições de 1934 e 1946, reuniu empreendedores de diversos segmentos para celebrar trajetórias de superação, inovação e propósito.
Suelen Garcia estampou a capa da publicação ao lado de outras histórias inspiradoras, em uma edição que reforça o compromisso editorial da revista com o protagonismo feminino e a valorização de negócios que geram impacto real na sociedade.
A publicação, que começou como uma aposta ousada no formato impresso em plena era digital, já alcançou cinco países e 21 edições em apenas dois anos.
Suelen Garcia de Paula, Perfil
Suelen Garcia de Paula é advogada especialista em Direito Previdenciário, com mais de 18 anos de atuação — sendo 18 anos à frente do escritório que comanda ao lado do marido, também sócio.
Formada em Direito e com pós-graduação na área previdenciária, integra a Comissão de Direito Previdenciário e foi agraciada com o Diploma de Honra ao Mérito pela Câmara Municipal de Goiânia em reconhecimento ao trabalho prestado à comunidade.
Com mais de 2.200 processos registrados em seu nome no JusBrasil, atua em todo o Brasil nas modalidades presencial e online, com foco em benefícios assistenciais, aposentadorias, auxílio-doença e pensões. Sua missão profissional nasceu de uma experiência pessoal em 2010, quando precisou da proteção previdenciária e não a tinha — hoje, dedica-se a garantir que empreendedores brasileiros não enfrentem o mesmo desamparo.
Suelen está presente no Instagram como @suelenfernandobuono, onde compartilha informações sobre direitos previdenciários e educação financeira para empreendedores.

Por Robson Talber, @robsontalber, repórter Henrique Pianta, @piantahp.
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