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Deputado federal do PT participou da World Cup Batalha dos Barbeiros Brasil, nos Arcos da Lapa, e defendeu a aprovação da redução da jornada de trabalho como o maior avanço social da década.
Rio de Janeiro — No fim da tarde de domingo, os Arcos da Lapa não foram apenas palco de tesouras afiadas e cortes precisos.
Entre competidores que vieram de várias regiões do país para disputar cinturões na World Cup Batalha dos Barbeiros Brasil — idealizada pela empreendedora cultural Erica Madrinha, sobrevivente da Chacina da Candelária —, um nome da política nacional atravessou a multidão.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) chegou para ver de perto um movimento que, segundo ele, simboliza o que há de mais potente na classe trabalhadora brasileira: a organização de base, a cultura de periferia e a luta por direitos.
"Quero parabenizar o paizão, a Erica, o vereador Leonel. "Essa batalha aqui é uma união de trabalhadores", disse o parlamentar ao Jornal da República Timorol, em entrevista concedida em meio ao burburinho do evento.
A maior vitória trabalhista em décadas.
Lindbergh não veio apenas prestigiar as disputas de fade e desenho livre. Ele veio celebrar o que classifica como a maior conquista para o trabalhador brasileiro desde a Constituição de 1988: a aprovação em dois turnos, na Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas.
O texto, aprovado no último dia 27 de maio de 2026 — uma quarta-feira histórica no plenário Ulysses Guimarães —, estabelece uma transição de até 14 meses para a nova carga horária e garante dois dias de descanso semanal obrigatórios, preferencialmente aos sábados e domingos.
A PEC agora está nas mãos do Senado Federal.
"Eu fui prefeito de Nova Iguaçu, eu sei a quantidade de gente que sai às 4h30, 5 horas da manhã, às vezes chega em casa às 11 horas, meia-noite." "As pessoas não têm qualidade de vida, não conseguem viver com a família", afirmou Lindbergh, visivelmente emocionado ao descrever a rotina de milhões de brasileiros.
O impacto da proposta é gigantesco. Segundo dados oficiais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 60 milhões de trabalhadores são diretamente afetados pela jornada de trabalho no Brasil, e a redução de quatro horas semanais representa um ganho concreto de tempo para convivência familiar, lazer e saúde mental.
O acordo político e a transição de 60 dias
A aprovação na Câmara não foi automática. O governo federal e a presidência da Casa fecharam um acordo que prevê uma regra de transição de 60 dias para que empresas se adaptem à nova realidade — uma resposta às preocupações do setor produtivo, que pedia mais tempo para reorganizar escalas.
O presidente Lula enviou o projeto ao Congresso em regime de urgência constitucional ainda em abril, e a articulação política comandada pelo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, foi determinante para construir a maioria necessária — eram precisos 308 votos em cada turno.
"Organizar para que todo trabalhador tenha dois dias de descanso vai mudar a vida do povo", sintetizou Lindbergh. "E agora a luta é pressionar o Senado para aprovar isso no Senado Federal."
A previsão entre líderes governistas é de que a PEC seja votada no plenário do Senado ainda no segundo semestre de 2026, mas a pressão da bancada empresarial promete esquentar o debate. Senadores como Paulo Paim (PT-RS), autor de propostas anteriores sobre o tema, já sinalizaram apoio integral.
O peso das conquistas econômicas no bolso do trabalhador
Na entrevista, Lindbergh também destacou o cenário econômico que, segundo ele, dá sustentação política à agenda trabalhista. Em 2026, o salário mínimo foi reajustado para R$ 1.621, representando um ganho real de 2,5% acima da inflação medida pelo INPC.
O valor — que serve de referência para 60 milhões de brasileiros — foi sancionado com base na Lei 15.077/2024, que garante aumento real com base no crescimento do PIB.
"Tem muita obra acontecendo em cada município, mas tem também a melhora da renda do povo trabalhador", afirmou.
O dado é corroborado pelo Ministério da Fazenda. Com a sanção da Lei 15.270/2025, em novembro do ano passado, quem ganha até R$ 5 mil mensais está completamente isento do Imposto de Renda desde fevereiro de 2026 — um universo estimado em 16 milhões de contribuintes. Quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350 conta com descontos parciais.
Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a combinação da valorização do salário mínimo com a isenção do IR deve injetar cerca de R$ 110 bilhões na economia brasileira ao longo de 2026 — aquecendo o comércio, os serviços e a geração de empregos.
A trajetória de um líder estudantil que virou referência nacional
Lindbergh Farias tem 56 anos e uma biografia que atravessa momentos decisivos da história recente do Brasil.
Natural de João Pessoa, Paraíba, mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde se formou em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1992, no auge do movimento que culminou no impeachment do presidente Fernando Collor.
"Já comecei em 1992, era pintada", brincou ao lembrar das campanhas de rua, dos cartazes colados em muros e das assembleias estudantis que marcaram sua entrada na política.
Foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1998, chegou ao Senado em 2010 com mais de 4,5 milhões de votos no estado do Rio de Janeiro, e cumpriu mandato de oito anos na Casa — onde atuou em comissões como a de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Em 2018, foi candidato ao governo do estado, e em 2022 retornou à Câmara dos Deputados como federal, onde hoje exerce o mandato.
Atualmente com 718 mil seguidores no Instagram, Lindbergh mantém uma base de militância digital ativa e presença constante nas ruas — um traço que ficou evidente na circulação pelo evento da Batalha dos Barbeiros, em que parou para fotos, ouviu demandas e repetiu o que parece ser seu lema de campanha para 2026: "Estou esperançoso, o Brasil vai continuar por esse caminho."
O evento que movimentou a Lapa
A World Cup Batalha dos Barbeiros Brasil, realizada nos Arcos da Lapa, é a maior competição internacional do segmento no país. Idealizada por Erica Madrinha, que sobreviveu à Chacina da Candelária em 1993 e hoje comanda um dos maiores eventos de cultura urbana do estado, a competição reúne profissionais de barbeiros de diversas regiões e até de outros países.
As categorias incluem Corte Tradicional, Fade e Desenho (Freestyle), com prêmios em dinheiro e cinturões para os vencedores. Além das disputas, o evento celebra a cultura periférica com batalhas de rap, MCs e apresentações de dança.
Para Lindbergh, a sinergia entre luta trabalhista e cultura de rua é natural: "O que a gente vê aqui é trabalho, talento e resistência. É disso que o Brasil precisa."
Sobre Lindbergh Farias
Lindbergh Farias é deputado federal pelo PT do Rio de Janeiro, ex-senador da República e ex-prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Nascido em João Pessoa (PB), formou-se em direito pela UFRJ e foi presidente da UNE em 1992, durante o movimento que resultou no impeachment de Collor. Exerceu mandato de senador entre 2011 e 2019, com mais de 4,5 milhões de votos, atuando em pautas trabalhistas, educacionais e de direitos humanos.
Em 2026, articula sua reeleição à Câmara dos Deputados como parte da base de apoio ao governo Lula, com foco na redução da jornada de trabalho, geração de emprego e políticas de valorização do salário mínimo.
Mantém perfil ativo em redes sociais (@lindberghfarias) com mais de 718 mil seguidores, onde combina conteúdo parlamentar com mobilização de base nas ruas e nas periferias do estado do Rio de Janeiro.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Antonio Lemos @djportugues
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