Thaty Cordeiro (Vereadora de Cubati-PB): A trajetória da professora que virou voz do sertão na Marcha dos Prefeitos

Brasil tem apenas 18% de mulheres nas câmaras — e a vereadora que quer mudar esse número veio do sertão

Mulheres no centro do poder: vereadora da Paraíba representa nova geração na Marcha dos Prefeitos em Brasília

Brasília foi palco, entre os dias 18 e 21 de maio de 2026, da XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, promovida pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). O evento reuniu milhares de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e gestores públicos de todo o país no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), consolidando-se como o maior encontro municipalista da América Latina.

Com o lema "O Brasil que dá certo nasce nos Municípios", a Marcha deste ano acontece em um contexto político estratégico: ano de eleições presidenciais, com seis pré-candidatos confirmados para palestrar no evento — entre eles o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que abriu a programação de palestras no primeiro dia.

O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, conduziu os trabalhos e recebeu autoridades como o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, na cerimônia de abertura.

Vereadores ocupam espaço central no debate municipalista

Pela primeira vez, a organização da Marcha abriu inscrições ampliadas para vereadores, vice-prefeitos, secretários e servidores municipais — um movimento que reflete o reconhecimento do Legislativo municipal como peça-chave na formulação de políticas públicas locais.

Entre os parlamentares presentes, a vereadora Thaty Cordeiro (REPUBLICANOS), de Cubati, no sertão da Paraíba, representa uma nova geração de políticos que enxerga na Marcha uma oportunidade de qualificação e articulação.

Em entrevista exclusiva, ela destacou o valor da troca de experiências entre gestores de diferentes regiões do país.

"Quando a gente se inteira do que está acontecendo, a gente consegue contribuir ainda mais e levar para o nosso município, junto com o prefeito, todas as demandas de informações, de novas propostas. As trocas de experiências que a gente tem com os colegas aqui são muito ricas porque agregam na nossa formação enquanto político."

Mulheres na política: um lugar de transformação

Com 32 anos, formada em Pedagogia pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Thaty Cordeiro faz parte de um grupo ainda minoritário na política brasileira. Dados da União Interparlamentar e da ONU Mulheres, divulgados em 2025, apontam que o Brasil ocupa apenas a 133ª posição no ranking mundial de participação feminina no Parlamento. As mulheres representam 18,7% da Câmara dos Deputados e 19,8% do Senado Federal.

Nos municípios, o cenário é igualmente desafiador. Embora as mulheres correspondam a 52% do eleitorado brasileiro, a presença feminina nas câmaras municipais ainda está longe da paridade — realidade que a vereadora conhece bem.

"Até então eu não imaginava que a política seria um espaço para mim. Eu via realmente mais homens e, na minha perspectiva, era um espaço que eu não me via enquanto mulher. Quando vem a oportunidade, a gente começa a escutar e percebe que muitas mulheres e jovens se espelham na gente e acreditam que a gente pode realmente mudar."

O relato traduz um fenômeno nacional: a falta de referência feminina nos espaços de poder ainda é uma barreira de entrada. Pesquisa do Instituto Alziras de 2024 mostrou que, nas eleições municipais de 2024, o percentual de mulheres eleitas para as câmaras brasileiras ficou em torno de 18% — número que, apesar de estável, está distante dos 30% mínimos previstos pela cota de candidaturas.

Da sala de aula à Câmara Municipal

A trajetória de Thaty Cordeiro ilustra um movimento crescente de profissionais da educação que migram para a política. Formada pela UEPB, ela atuou como professora e orientadora educacional antes de se candidatar — uma rota que tem se tornado comum no Brasil, onde educadores representam uma das categorias profissionais mais presentes nos legislativos municipais.

Eleita em 2024 com uma plataforma voltada à educação, à valorização da mulher e ao desenvolvimento local, ela já apresentou projetos de lei de impacto, como a instituição do Dia Internacional da Mulher (8 de março) como feriado municipal em Cubati — uma medida simbólica e prática de reconhecimento do papel feminino na sociedade.

Também por sua iniciativa, a Câmara de Cubati realizou, em março de 2026, uma Sessão de Moção de Homenagem e Reconhecimento a mulheres cubatienses que se destacam por sua dedicação e contribuição à comunidade.

O Brasil que dá certo nasce nos municípios — e nas novas lideranças

O mote da Marcha deste ano encontrou eco no discurso da jovem parlamentar. Para ela, a política é o instrumento mais eficaz de transformação em escala — e as mulheres precisam ocupar esse espaço sem receio.

"Sempre tive a visão de contribuir, de mudar uma realidade, mas nunca imaginei na política, que é onde realmente a gente consegue atuar de forma mais eficiente numa proporção muito maior. A gente consegue impactar a nossa cidade, e isso é algo muito poderoso."

Com uma linguagem direta e uma postura que mescla determinação e sensibilidade, Thaty Cordeiro é parte de uma geração que desafia estatísticas e constrói, dia após dia, um novo imaginário sobre a mulher na política brasileira — não mais como coadjuvante, mas como protagonista de uma transformação que começa no município e pode ecoar pelo país.

Sobre Thaty Cordeiro

Thatyanne Cordeiro Silva, conhecida como Thaty Cordeiro, é natural de João Pessoa (PB), tem 32 anos e é formada em Pedagogia pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Atua como orientadora educacional e também como modelo profissional. Foi eleita vereadora de Cubati-PB nas eleições de 2024 pelo REPUBLICANOS, com uma plataforma focada em educação, valorização feminina e desenvolvimento social. Em seu primeiro mandato, já propôs projetos como o feriado municipal do Dia Internacional da Mulher e a realização de sessões solenes de reconhecimento a mulheres da cidade. Representa uma nova geração de lideranças femininas que buscam democratizar o acesso à política e ampliar a representatividade nos espaços de decisão.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Fontes: Confederação Nacional de Municípios (CNM) — marcha.cnm.org.br; Câmara Municipal de Cubati-PB — camaracubati.pb.gov.br; Senado Federal — Agência Senado; ONU Mulheres; União Interparlamentar (UIP); Instituto Alziras; Agência Pública; Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

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Por Ultima Hora em 26/05/2026
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