Desconfiança geral: brasileiro já não bota fé nem na própria família

Desconfiança geral: brasileiro já não bota fé nem na própria família

Parece que o brasileiro cansou de confiar. E não é exagero: segundo a nova pesquisa do Ipsos-Ipec, lançada nesta quinta-feira (18), o país bateu novo recorde de desconfiança. O índice de confiança social despencou quatro pontos de 2024 para cá e voltou aos piores níveis da história — aqueles mesmos de 2015 e 2018, sabe?

A pesquisa mostra um cenário onde basicamente ninguém escapa da desconfiança popular. De instituições públicas a amigos do churrasco, passando por vizinhos, escolas e até hospitais, está todo mundo na berlinda. O brasileiro acordou desconfiando até do espelho.

O índice geral, que mede a confiança em 20 instituições e grupos sociais, caiu de 60 para 56 (numa escala que vai até 100). Parece pouco? Pois saiba que essa queda é pesada. Quatro pontos de uma vez só é tipo rasgar a figurinha dourada do álbum da Copa: dá prejuízo e trauma ao mesmo tempo.

A pesquisa também revelou que a confiança entre as próprias pessoas também tá indo pro beleléu. Na família, o índice caiu de 73 para 70. Nos amigos, de 65 para 61. Vizinhos, que já não eram os mais confiáveis do rolê, foram de 57 para 55. E a confiança no povo brasileiro em geral? Bem… agora tá em 51. Isso mesmo: mal passando da metade — o famoso "não boto fé, mas também não quero causar treta".

Só quem parece estar mais de boa com tudo são as classes D e E, que aumentaram um pouco o nível de confiança em relação ao ano passado. Enquanto isso, as classes A/B e C perderam ainda mais fé na humanidade. Parece que quem já apanha mais da vida tem menos ilusão pra perder.

A queda de confiança também atingiu instituições antes vistas como sólidas. Polícia, bancos, empresas privadas e ONGs perderam entre 6 e 7 pontos cada. A Justiça Eleitoral, que sempre foi meio que um porto seguro da democracia, também escorregou e está prestes a cair no limbo dos que têm menos de 50 pontos — ou seja, onde ninguém mais acredita em nada. E sim, o Judiciário e o governo federal já estão nesse grupo.

Falando em governo, partidos políticos, Congresso e sindicatos continuam firmes... como os menos confiáveis do país. Só que agora ganharam companhia de peso: o Judiciário, antes visto como "o adulto responsável da sala", perdeu o glamour. Já o governo federal, bom... esse já vinha em baixa faz tempo, só confirmou que a confiança do brasileiro não é infinita.

Segundo Marcia Cavallari, da direção do Ipec, essa quebra de confiança não é só uma crise existencial coletiva: é um alerta para a democracia. Quando ninguém acredita em mais nada nem ninguém, abre-se espaço pra frustração, descrença no sistema e, claro, surtos coletivos no zap. Desde 2013, o humor da população só piora, e os sinais estão todos aí, escancarados.

Em resumo: o brasileiro está desconfiado até da sombra. O índice de confiança virou quase um índice de tretas. Se continuar assim, nem o bom e velho “confia em mim” vai funcionar na próxima eleição.

Por: Arinos Monge.

Por Ultima Hora em 18/07/2025
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