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Secretário-executivo do MinC foi recebido por Benedita da Silva e Marcelo Freixo em evento na Lapa; movimentação ocorre em meio ao racha entre a pré-candidata ao Senado e o vice-presidente nacional do partido, Washington Quaquá
Filiação reuniu lideranças petistas na Lapa
O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, oficializou na noite de sábado (20) sua filiação ao PT do Rio de Janeiro, em cerimônia realizada no Espaço Cortiço Carioca, no bairro da Lapa, região central da capital fluminense. Considerado o número dois na hierarquia do MinC e braço direito da ministra Margareth Menezes, Tavares passa a integrar os quadros da sigla no estado mesmo sem planos de concorrer a cargos eletivos em 2026.
O evento reuniu figuras de peso do espectro político fluminense. A deputada federal e pré-candidata ao Senado Benedita da Silva fez questão de recepcionar pessoalmente o novo filiado. Ao seu lado, o ex-presidente da Embratur Marcelo Freixo, o secretário-executivo do Ministério da Igualdade Racial, Tiago Santana, e as vereadoras cariocas Tainá de Paula e Tatiana Roque completaram a mesa de honra.
"Maior investimento em cultura da história", promete Tavares
Em discurso, Márcio Tavares agradeceu a acolhida e destacou o trabalho que vem sendo conduzido desde a recriação do Ministério da Cultura, em janeiro de 2023. "Me sinto muito acolhido e assumi com prazer o papel de reconstruir o ministério junto com a ministra Margareth para fazer o maior investimento na cultura da história deste país e levar cultura para cada canto deste Brasil", afirmou.
Doutor em Arte pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em História pela UFRGS, Tavares começou sua trajetória na gestão pública no Rio Grande do Sul, onde dirigiu o Memorial do Rio Grande do Sul, o Arquivo Histórico do estado e o Museu dos Direitos Humanos do Mercosul. Foi secretário Nacional de Cultura do PT entre 2016 e 2018, período em que atuou na articulação das leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, que injetaram mais de R$ 6 bilhões no setor cultural durante a pandemia.
Às vésperas da eleição, Tavares não disputará cargo em 2026
A filiação de Tavares não tem objetivo eleitoral imediato. Aos 40 anos, ele não pretende disputar as eleições de outubro. A movimentação é lida por analistas como um movimento de enraizamento político no estado que lhe concedeu o título de Cidadão Fluminense em 2024, por aprovação unânime da Assembleia Legislativa. A jogada fortalece sua presença no tabuleiro político e abre caminho para composições futuras dentro da legenda.
Bastidores: Benedita recebe Tavares com bom humor e recado político
Ao dar as boas-vindas ao novo filiado, Benedita da Silva fez questão de abordar com ironia as conhecidas turbulências internas da legenda. "Que você seja bem-vindo ao PT. Você terá aqui muito espaço para trabalhar e para confusão também", disse, arrancando risos dos presentes. "Confusões à parte, ter você aqui é muito importante. Aqui é o coração do dragão. E a cultura é fundamental para vencermos essa batalha."
A fala de Benedita não poderia ser mais oportuna. O PT fluminense vive um dos momentos mais delicados de sua história recente. Washington Quaquá, prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do partido, rompeu abertamente com a pré-candidata ao Senado em maio deste ano, após uma disputa em torno da escolha do suplente na chapa. Benedita recusou os nomes indicados por Quaquá e manteve o chefe de gabinete Manoel Severino como suplente — decisão que o prefeito classificou publicamente como arriscada.
O racha que expõe o PT fluminense
Quaquá declarou apoio exclusivo à candidatura de Pedro Paulo (PSD) ao Senado, saltando a cerca partidária e aprofundando o racha interno. O prefeito de Maricá justifica a decisão pela aliança entre o presidente Lula e Eduardo Paes — que caminha para a reeleição ao governo do estado. Já aliados de Benedita rejeitam a influência do grupo de Quaquá. O cenário coloca a legenda em uma encruzilhada: apoiar a própria candidata ou a aliança com o PSD. A chegada de Tavares ao lado de Benedita sinaliza para qual campo o secretário-executivo da Cultura se alinha.
Freixo: "Cultura não é entretenimento, é elemento de transformação"
Marcelo Freixo, que comandou a Embratur até o início de 2026 e contou com o apoio direto do MinC para projetos internacionais de promoção do turismo brasileiro — incluindo o Carnaval carioca —, também celebrou a filiação. "Márcio reúne coisas muito singulares em Brasília. Ele é extremamente competente, comprometido e tem um afeto no trato político que é memorável", afirmou.
Freixo aproveitou para fazer uma conexão direta entre a cultura e a crise institucional que assola o estado. "Tivemos oito governadores afastados, seis presos e em breve o sétimo. Isso tem resultado em toda parte. E a cultura não é entretenimento. A cultura é um elemento que pode ajudar a mudar a história do Rio de Janeiro", declarou.
O histórico de governadores presos no Rio
A fala de Freixo remete a um dos capítulos mais sombrios da política fluminense. Desde 2006, o estado acumula sucessivas condenações de ex-governadores: Sérgio Cabral Filho cumpre pena por corrupção e lavagem de dinheiro; Anthony Garotinho foi preso por tentativa de homicídio e corrupção eleitoral; Rosinha Garotinho e Luiz Fernando Pezão também foram alvos da Lava Jato; Wilson Witzel foi afastado e torneou réu por improbidade. O dado ilustra o que Freixo chamou de "crise estrutural de governabilidade" — contexto no qual a cultura aparece como vetor de reconstrução.
Perfil: Quem é Márcio Tavares
Historiador, curador e gestor cultural, Márcio Tavares dos Santos nasceu em Sapucaia do Sul (RS) em 27 de outubro de 1985. É graduado em História pela UFRGS, mestre em História pela mesma universidade e doutor em Arte pela UnB. Começou a carreira na gestão de equipamentos culturais no Rio Grande do Sul, onde dirigiu o Memorial do Estado, o Arquivo Histórico e foi fundador do Museu dos Direitos Humanos do Mercosul. Atuou na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados entre 2016 e 2018 e tornou-se uma das principais vozes contra a censura artística após o fechamento da exposição Queermuseu, em Porto Alegre. Foi o principal articulador das leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo no Congresso e integrou o Gabinete de Transição do governo Lula na área da Cultura, liderando o diagnóstico para a recriação do MinC. Preside o Fórum Ibero-Americano de Vice-Ministros da Cultura para a Economia Criativa e coordenou debates no G20 sobre inteligência artificial, direitos autorais e mudanças climáticas. É condecorado com as ordens do Mérito Educativo e de Rio Branco.
Fontes: Ministério da Cultura (MinC) — Sala de Imprensa; Wikipédia — Márcio Tavares dos Santos; O Globo; Agência Brasil; Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ)
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