Superintendente do Cismetro Holambra, Ana Filomeno explica como Consórcio de Saúde eliminou a licitação e colocou 2 mil empresas à disposição de 34 prefeituras

Enquanto uma prefeitura leva até quatro meses para contratar um serviço de saúde por licitação, o Cismetro Holambra oferece credenciamento imediato com 2 mil empresas à disposição — e tabela de preços única, do município de 5 mil habitantes à cidade de 500 mil.

Saúde sem licitação: o consórcio de 34 cidades que encurtou a fila do SUS e cortou pela metade o tempo de espera por exames e cirurgias no interior de São Paulo

Campos do Jordão, SP — A fila de um exame de ressonância magnética no SUS pode durar meses. O tempo de uma licitação pública para contratar o serviço, outros tantos. No interior de São Paulo, 34 prefeituras descobriram que o caminho mais curto entre o paciente e o atendimento não passa por um edital de concorrência — passa por um consórcio.

O Cismetro Holambra é a tradução prática de uma ideia simples: em vez de cada cidade enfrentar sozinha a burocracia e os custos da saúde pública, elas se unem, credenciam uma rede de prestadores e compartilham os preços. O resultado são 2 mil empresas credenciadas prontas para atender, e uma economia de tempo que a superintendente do consórcio, Ana Filomeno, resume em números.

"Uma licitação demora em média de três a quatro meses, se for muito rápido. O credenciamento está pronto. O município só precisa aderir ao serviço do consórcio, ser consorciado e abrir esse leque para atender a região", afirmou em entrevista ao Jornal da República durante o Conexidades 2026, em Campos do Jordão.

Credenciamento, não licitação: a chave da agilidade

O modelo jurídico que sustenta o Cismetro é o credenciamento, previsto na Lei 14.133/2021 (nova lei de licitações) e na Lei 11.107/2005 (lei dos consórcios públicos). Diferentemente de uma licitação, em que se escolhe um vencedor para um contrato exclusivo, o credenciamento permite que qualquer prestador que atenda aos requisitos seja incorporado à rede. Quanto mais empresas credenciadas, maior a oferta e mais competitivos os preços.

"Chamamos as empresas que queiram ser credenciadas. Elas se colocam como prestadoras de serviço e o município tem acesso a isso. Não precisa participar de uma concorrência, de uma licitação pública", explicou Ana Filomeno.

Tabela única: o pequeno município paga o mesmo que o grande

Um dos diferenciais do consórcio é a política de preços. O Cismetro adota uma tabela baseada na tabela SUS. Quando o serviço não é contemplado por ela, o consórcio faz uma pesquisa de preço de mercado e trabalha com a mediana. Esse valor é fixo.

"O município de pequeno porte ou grande porte vai pagar o mesmo valor. E o diferencial é que o próprio município decide o que quer comprar, quanto quer comprar e já sabe quanto vai custar de imediato", disse a superintendente.

A previsibilidade orçamentária é um alívio para prefeitos de cidades pequenas, que muitas vezes não têm estrutura técnica para fazer licitações complexas nem poder de barganha para negociar preços com hospitais e clínicas.

34 cidades, 3 milhões de pessoas

O Cismetro Holambra nasceu em 2017 e, desde então, cresceu até se tornar um dos maiores consórcios de saúde do estado de São Paulo. São 34 municípios consorciados, que somam mais de 3 milhões de usuários da rede pública. A sede fica em Holambra, na Avenida das Tulipas, 638, mas o alcance se estende por toda a Região Metropolitana de Campinas e cidades do entorno.

A carteira de serviços inclui exames de imagem como ressonância magnética e tomografia computadorizada, pequenas cirurgias, consultas em todas as áreas de especialidades, plantões médicos e atenção básica no geral. O consórcio também atende serviços especializados para pessoas com deficiência cognitiva.

Dados do Instagram oficial do consórcio indicam que o Cismetro já realizou cerca de 95 mil atendimentos.

Emenda parlamentar com destino certo

Outro ponto destacado na entrevista foi o papel das emendas parlamentares no financiamento dos serviços. Ao contrário do que muitos imaginam, a emenda não chega ao consórcio — chega ao município, que decide em que área da saúde vai aplicar o recurso.

"A emenda parlamentar vem para o município destinada à saúde, e o município decide em que área ele vai aplicar", esclareceu Ana Filomeno, afastando a ideia de que o consórcio capta recursos diretamente.

A força feminina na gestão pública de saúde

Por trás dos números do Cismetro está a trajetória de Ana Filomeno, uma das poucas mulheres à frente de um consórcio de saúde no Brasil. Em março de 2025, em entrevista à Gazeta Guaçuana, ela afirmou: "Precisamos provar nossa competência repetidamente" — uma frase que revela tanto a pressão quanto a determinação de quem ocupa posições de liderança em um setor historicamente masculino.

Formada em Direito e Administração de Empresas, com MBA em Gestão Financeira de Cooperativa de Crédito e pós-graduação em Administração de Marketing e de Empresas, Ana construiu uma carreira que transitou do cooperativismo de crédito ao setor público. Foi gerente administrativa e financeira no Sicredi Regional da Baixa Mogiana, gerente do Departamento de Habitação da Prefeitura de Mogi Guaçu e secretária de Saúde no município de Pedreira.

Antes de assumir a superintendência do Cismetro, atuou como coordenadora técnica de planejamento do próprio consórcio e coordenadora geral do CON 8 — Consórcio de Saúde "08 de Abril", acumulando conhecimento de dentro para fora da estrutura.

Paralelamente, preside o Fundo Social de Solidariedade de Mogi Guaçu e a Casa da Amizade do Rotary Club da mesma cidade, onde desenvolve projetos sociais voltados a famílias em situação de vulnerabilidade.

O consórcio como resposta à crise do financiamento municipal

O modelo do Cismetro se insere em um movimento mais amplo. Segundo dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM), 80% dos municípios brasileiros têm menos de 50 mil habitantes e dependem quase exclusivamente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para fechar as contas. Na saúde, o subfinanciamento crônico do SUS empurra as prefeituras para um dilema: ou deixam a população sem atendimento, ou encontram alternativas de gestão compartilhada.

Os consórcios de saúde são a saída encontrada por centenas de cidades. Pesquisas acadêmicas publicadas na plataforma SciELO e no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontam que os consórcios intermunicipais de saúde geram economia de escala média de 30% no valor global das compras, além de reduzir o tempo de espera por procedimentos e ampliar a capilaridade do atendimento.

O Cismetro Holambra é um dos casos mais bem-sucedidos desse modelo no estado de São Paulo. A combinação de segurança jurídica, escala e previsibilidade de custos tem atraído novos municípios. Em 2026, o consórcio lançou edital de seleção pública para contratação de profissionais, ampliando sua própria capacidade operacional.

O credenciamento como política de Estado

O que o Cismetro faz na prática é transformar o credenciamento em uma política permanente de acesso à saúde. Como explicou Ana Filomeno, a lógica é oposta à da licitação tradicional: em vez de um município lançar um edital, esperar propostas, julgar, homologar e só então contratar, o consórcio mantém uma rede permanentemente aberta de prestadores habilitados. O prefeito que precisa de 50 consultas cardiológicas consulta a tabela, aciona o credenciamento e o serviço é prestado.

Esse modelo é particularmente eficaz para exames de imagem, cirurgias eletivas de baixa e média complexidade e consultas especializadas — exatamente os itens que mais pressionam as filas do SUS nos municípios de médio e pequeno porte.

Perfil | Ana de Elisabete Filomeno

Superintendente do Cismetro Holambra — Consórcio Intermunicipal de Saúde na Região Metropolitana de Campinas, Ana Filomeno é formada em Direito e Administração de Empresas, com MBA em Gestão Financeira de Cooperativa de Crédito e pós-graduação em Administração de Marketing e de Empresas. Antes de assumir a superintendência, foi secretária de Saúde no município de Pedreira (SP), coordenadora técnica de planejamento do próprio Cismetro e coordenadora geral do CON 8, consórcio de saúde da região. No setor privado, foi gerente administrativa e financeira do Sicredi Regional da Baixa Mogiana e gerente do Departamento de Habitação da Prefeitura de Mogi Guaçu. Preside o Fundo Social de Solidariedade de Mogi Guaçu e a Casa da Amizade do Rotary Club da mesma cidade. Em 2025, em entrevista à Gazeta Guaçuana, afirmou que a maior lição da trajetória no serviço público é que "precisamos provar nossa competência repetidamente". Em 2026, liderou o lançamento do edital de credenciamento 001/2026 e da seleção pública 01/2026 do Cismetro, ambos publicados no Portal Nacional de Contratações Públicas e no Diário Oficial de Holambra.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Fontes: Cismetro Holambra (cismetro.com.br) | Prefeitura de Holambra (holambra.sp.gov.br) | Gazeta Guaçuana (gazetaguacuana.com.br) | Portal Nacional de Contratações Públicas (pncp.gov.br) | Confederação Nacional de Municípios (cnm.org.br) | SciELO Brasil (scielo.br) | IPEA (ipea.gov.br) | Rede Nacional de Consórcios Públicos (rncp.org.br) | LinkedIn — perfil de Ana de Elisabete Filomeno | Diário Oficial do Município de Holambra (dosp.com.br)

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Por Ultima Hora em 21/06/2026
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