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Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro, 21 de junho de 2026. Enquanto os barcos-dragão cortavam as águas da Lagoa Rodrigo de Freitas ao som de tambores centenários, uma imagem chamou a atenção de quem circulava pelo Estádio de Remo: a presença de um representante do governo do estado — não em um gabinete, mas à beira d'água, vendo de perto as 26 equipes que disputavam o 1º Open Dragon Boat Brasil.
Era Roberto Gomides, subsecretário de Fazenda do Rio de Janeiro, que, na tarde deste domingo, representou o governador Ricardo Couto e o secretário Guilherme Mercês no Festival das Águas.
Sua missão não era protocolar. Era traduzir, em uma só imagem, o que o evento representa para as relações entre Brasil e China — e para o próprio estado fluminense.
"O remo tem uma lição muito importante: o barco só avança quando todos remam juntos. E acho que isso reflete muito bem a relação entre Brasil e China", afirmou, em entrevista ao Jornal da República.
A metáfora do barco que carrega dois países
A frase ecoou entre os presentes como uma síntese do que o Dragon Boat representa. O barco de 13,5 metros, tripulado por 20 remadores, um timoneiro e um baterista, não funciona sem sincronia. Um remo fora do ritmo desequilibra a embarcação inteira.
"Acho que é um esporte muito acolhedor, assim como a nossa cidade, o nosso estado. Dessa forma, com esse espírito, a gente está recebendo de braços abertos esse evento — e que ele se repita pelos próximos anos", completou Gomides.
A presença do governo estadual no evento não foi casual.
O Dragon Boat Brasil, em sua primeira edição, contou com patrocínio da State Grid — multinacional chinesa de energia que opera no Brasil há mais de uma década e é a maior empresa de energia do mundo em valor de mercado.
O apoio institucional do governo do Rio, por meio da Secretaria de Fazenda, sinaliza o interesse do estado em aprofundar os laços econômicos e culturais com a China.
O comércio bilateral entre Brasil e China ultrapassou US$ 150 bilhões em 2025, consolidando o país asiático como o principal parceiro comercial do Brasil pelo 16º ano consecutivo.
Para o Rio de Janeiro, a parceria com estatais chinesas como a State Grid representa investimentos em infraestrutura, energia e geração de empregos.
O esporte que acolhe, a cidade que abraça.
Um dos diferenciais do Dragon Boat é sua capacidade de incluir. No evento, as competições não se limitaram ao alto rendimento.
As provas de 200 metros tiveram categorias masculinas, femininas, mistas e, em um dos momentos mais emocionantes do fim de semana, as Remadoras Rosas — mulheres que enfrentam ou enfrentaram o câncer de mama e encontraram na canoagem uma ferramenta de reabilitação física e emocional.
"Hoje a gente vai ter espaço para as crianças, para as mulheres na modalidade rosa, mostrando a superação em diversos momentos difíceis." "É uma maravilha ver isso acontecendo aqui na nossa cidade", afirmou Gomides.
A modalidade rosa tem respaldo científico. Estudos publicados no periódico Journal of Cancer Survivorship demonstram que a prática do Dragon Boat reduz o linfedema em sobreviventes de câncer de mama e melhora significativamente a qualidade de vida.
O Hospital Israelita Albert Einstein já promoveu vivências da modalidade, e o Núcleo de Oncologia do Amazonas utiliza a canoagem como terapia complementar.
O subsecretário que viu na Lagoa uma sala de aula
A presença de um subsecretário de Fazenda em um evento esportivo pode parecer incomum à primeira vista.
Mas, para Roberto Gomides, a mensagem era clara: o estado precisa estar onde a sociedade está — e a Lagoa Rodrigo de Freitas, naquele fim de semana, era o centro de um encontro entre tradição, esporte e relações internacionais.
Gomides é servidor de carreira da Sefaz-RJ, onde ingressou como analista em finanças públicas. Em 2021, foi nomeado subsecretário-geral de Fazenda, cargo que ocupa até hoje, sendo uma das peças-chave da gestão fiscal fluminense na administração do governador Ricardo Couto.
Em maio de 2026, foi um dos primeiros nomes confirmados na nova equipe montada pelo secretário Guilherme Mercês, que retornou ao comando da pasta, priorizando servidores da casa.
Em 18 de junho de 2026, apenas dois dias antes do Dragon Boat, Gomides representou a Secretaria de Fazenda na histórica sessão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) que iniciou a votação das contas do ex-governador Cláudio Castro — um dos julgamentos mais aguardados da política fluminense nos últimos anos.
A presença simultânea em duas frentes tão distintas — o tribunal e o festival chinês — revela a amplitude da atuação de um subsecretário de Fazenda no Rio de Janeiro contemporâneo.
A Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro (Sefaz-RJ) está sob o comando de Guilherme Mercês, economista com mestrado pela Uerj e formação executiva por Oxford, Columbia e INSEAD, que assumiu a pasta em abril de 2026 com a missão de implementar um plano de ajuste fiscal, combater a sonegação e renegociar a dívida do estado com a União.
Em entrevista à CBN Rio em 18 de junho, Mercês declarou que, sem o Propag (Programa de Apoio à Reestruturação dos Estados), o Rio de Janeiro ficaria "inviabilizado como estado".
O tambor que anuncia novos tempos
Ao final da entrevista, Gomides deixou o convite oficial para que o evento se consolide no calendário fluminense.
O projeto de lei do deputado Danniel Librelon, que tramita na Alerj, pretende justamente transformar junho no mês oficial do Dragon Boat no estado.
"É um prazer imenso estar aqui representando o governo do estado e o governador Ricardo Couto", afirmou Gomides, com a Lagoa ao fundo e os barcos-dragão deslizando sobre as águas que, dois anos antes, haviam sediado finais olímpicas.
Para o subsecretário, o recado que fica é tão simples quanto profundo: assim como no barco-dragão, o Rio de Janeiro só vai avançar se todos remarem na mesma direção.
A China, a State Grid, as Remadoras Rosas, as crianças da Rocinha, os 26 times de todo o Brasil e o governo do estado — todos no mesmo barco. E, enquanto houver tambor para marcar o ritmo, a direção está certa.
Roberto Gomides de Barros Filho
Roberto Gomides de Barros Filho é subsecretário-geral de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro, servidor de carreira da Sefaz-RJ, onde ingressou como analista em finanças públicas.
Subsecretário desde 2021, Gomides é uma figura central na administração fiscal fluminense, atuando na articulação entre o governo estadual, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e as demais esferas do poder público.
Em maio de 2026, foi mantido no cargo pelo secretário Guilherme Mercês na nova gestão do governador interino Ricardo Couto, em um movimento que privilegiou a experiência de servidores da casa em posições estratégicas.
Sua atuação abrange desde a representação do estado em julgamentos fiscais no TCE-RJ até a presença em eventos de cooperação internacional, como o Dragon Boat Brasil, demonstrando a amplitude do cargo na interface entre finanças públicas, cultura e relações exteriores.
O trabalho da Secretaria de Fazenda pode ser acompanhado pelo Instagram @fazendarj.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Antonio Lemos @djportugues
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